Enfermagem Múltipla Escolha

Uma equipe de saúde da família realiza atendimento itinerante a comunidades ribeirinhas e aldeias indígenas na Região Amazônica. Em visita, uma médica recém-chegada observa que uma mulher ribeirinha evita contato visual durante a consulta e responde às perguntas apenas com monossílabos. Em outra situação, um indígena da etnia Tikuna não aceita ser atendido sozinho e insiste na presença de um pajé da comunidade. A abordagem adequada que a equipe deve adotar é:

Uma equipe de saúde da família realiza atendimento itinerante a comunidades ribeirinhas e aldeias indígenas na Região Amazônica. Em visita, uma médica recém-chegada observa que uma mulher ribeirinha evita contato visual durante a consulta e responde às perguntas apenas com monossílabos. Em outra situação, um indígena da etnia Tikuna não aceita ser atendido sozinho e insiste na presença de um pajé da comunidade. A abordagem adequada que a equipe deve adotar é:

  1. Investir na padronização de rotinas clínicas e na capacitação da equipe para comunicação técnica propositiva e objetiva.
  2. Promover espaços formativos para a equipe assistencial, reconhecendo saberes e práticas das populações atendidas.
  3. Reforçar a autonomia profissional da médica, mantendo as condutas clínicas baseadas em evidências científicas.
  4. Estabelecer rotinas padronizadas uniformes de atendimento para ribeirinhos e indígenas.

Resolução completa

Explicação passo a passo

B
Alternativa B

Alternativa B - Promover espaços formativos para a equipe assistencial, reconhecendo saberes e práticas das populações atendidas.

Introdução

A questão aborda um cenário clássico de saúde pública na Amazônia, onde o atendimento médico precisa dialogar com culturas tradicionais e realidades locais distintas da medicina ocidental padrão. O problema central não é técnico, mas sim sociocultural.

Desenvolvimento

O caso descrito apresenta dois desafios fundamentais que exigem adaptação da equipe de saúde:

  • Comunicação: A mulher ribeirinha evita contato visual e usa monossílabos. Isso pode ser uma norma cultural de respeito ou desconfiança, não necessariamente falta de compreensão.
  • Crenças Tradicionais: O indígena Tikuna exige a presença do pajé. Para essa comunidade, a saúde envolve dimensões espirituais e comunitárias que a medicina hospitalar isolada não abrange.

A solução adequada deve focar na competência cultural dos profissionais, permitindo que eles entendam esses comportamentos sem julgá-los como "não compliance" ou "resistência".

Análise

Vamos analisar as alternativas com base nos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS):

  • Padronização (Opções A e D): Tentar impor rotinas clínicas padronizadas ignora a diversidade regional. Uma abordagem rígida tende a aumentar a resistência da população e reduzir o acesso aos serviços.
  • Autonomia Profissional (Opção C): Manter condutas puramente baseadas em evidências científicas, sem considerar o contexto cultural, pode levar ao abandono do tratamento pelo paciente, pois ele se sente incompreendido.
  • Reconhecimento de Saberes (Opção B): Esta é a abordagem correta. Ela propõe:
  • Educação permanente: Treinar a equipe para entender a realidade amazônica.
  • Respeito à diversidade: Validar a figura do pajé e os modos de comunicação locais.
  • Integralidade: Entender o paciente como um todo (físico, social e espiritual).

Conclusão

A alternativa B é a única que propõe uma mudança na postura da equipe frente à diversidade cultural, essencial para o sucesso do atendimento em comunidades tradicionais. As outras opções reforçam barreiras institucionais em vez de superá-las.

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