Medicina Múltipla Escolha

Homem, 45 anos, obeso, vítima de trauma abdominal fechado. Após a estabilidade hemodinâmica ser alcançada com reposição de fluidos, e com uma escala de coma de Glasgow de 8, torna-se necessário realizar uma tomografia computadorizada. Qual a conduta apropriada antes de transferir o paciente para o exame?

Homem, 45 anos, obeso, vítima de trauma abdominal fechado. Após a estabilidade hemodinâmica ser alcançada com reposição de fluidos, e com uma escala de coma de Glasgow de 8, torna-se necessário realizar uma tomografia computadorizada. Qual a conduta apropriada antes de transferir o paciente para o exame?

  1. Iniciar imediatamente o procedimento de tomografia computadorizada.
  2. Administrar sedativos e analgésicos para facilitar a realização da tomografia.
  3. Aguardar a recuperação espontânea do nível de consciência antes de realizar o exame.
  4. Realizar uma ultrassonografia abdominal antes da tomografia para avaliar a presença de lesões visíveis.
  5. Proceder com a intubação endotraqueal para garantir a estabilidade respiratória durante o exame.

Resolução completa

Explicação passo a passo

E
Alternativa E

Alternativa E - Proceder com a intubação endotraqueal para garantir a estabilidade respiratória durante o exame.

Introdução

A questão aborda um cenário clássico de Traumatismo Crânio-Encefálico (TCE) associado ao manejo de trauma geral em atendimento pré-hospitalar ou emergencial. O ponto central do caso clínico é a Escala de Coma de Glasgow (ECG).

Com uma pontuação de 8 na ECG, o paciente apresenta um comprometimento grave da consciência que impacta diretamente a segurança das vias aéreas.

Desenvolvimento e Análise

O protocolo internacional de trauma (como o ATLS) estabelece diretrizes claras para o manejo inicial (ABCDE). Antes de qualquer procedimento secundário como a transferência para exames de imagem (tomografia), é imperativo garantir a estabilidade primária.

Por que a alternativa E é a correta?

  1. Regra dos 8 pontos: Existe uma regra prática fundamental na medicina de emergência: ECG ≤ 8 exige intubação. Isso ocorre porque pacientes abaixo desse nível perdem os reflexos protetores da laringe, aumentando drasticamente o risco de aspiração de conteúdo gástrico e obstrução da via aérea por relaxamento da língua.
  2. Segurança no transporte: A sala de tomografia não possui todo o suporte imediato de reanimação que há na UTI ou centro cirúrgico. Se o paciente descompensar respiratoriamente durante o exame, a equipe deve estar preparada. A intubação garante que a via aérea esteja controlada ("guarantee respiratory stability").
  3. Proteção cerebral: Em casos de trauma, manter a oxigenação adequada e evitar hipocapnia (excesso de CO2) é vital para prevenir aumento da pressão intracraniana. A ventilação controlada ajuda nesse objetivo.

Por que as outras alternativas estão incorretas?

AlternativaMotivo da Incorreção
A (Iniciar imediatamente)Transferir um paciente sem via aérea protegida (ECG 8) para fora do ambiente controlado é um erro grave de segurança.
B (Sedativos/Analgésicos)Medicamentos depressores do sistema nervoso central podem piorar o nível de consciência e comprometer ainda mais a via aérea.
C (Aguardar recuperação)O tempo é crucial em traumas abdominais fechados. Esperar pode permitir que lesões internas causem instabilidade hemodinâmica.
D (Ultrassonografia antes)Embora o FAST seja útil no rastreamento inicial, a prioridade absoluta neste momento específico é a via aérea antes da transferência para longe do local de monitoramento intensivo.

Conclusão

A conduta prioritária em pacientes politraumatizados com Escala de Glasgow 8 é a proteção da via aérea através da intubação orotraqueal. Somente após garantir essa estabilidade é seguro realizar a transferência para exames complementares como a tomografia computadorizada.

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