Medicina Múltipla Escolha

Homem de 24 anos, com diagnóstico de doença de Crohn colônica há quatro anos, acompanhado em centro de referência e em uso de infliximabe associado a azatioprina, comparece à consulta relatando piora progressiva há cerca de seis semanas. Queixa-se de dor abdominal em cólica que se intensifica após as refeições, distensão abdominal, náuseas e evacuações aumentadas, sem sinais de irritação perianal ativa. A calprotectina fecal está elevada e a proteína C reativa situa-se próxima do limite superior da normalidade. Considerando a principal hipótese para o quadro e a necessidade de caracterizar a lesão para orientar a conduta, o exame mais adequado a ser solicitado é

Homem de 24 anos, com diagnóstico de doença de Crohn colônica há quatro anos, acompanhado em centro de referência e em uso de infliximabe associado a azatioprina, comparece à consulta relatando piora progressiva há cerca de seis semanas. Queixa-se de dor abdominal em cólica que se intensifica após as refeições, distensão abdominal, náuseas e evacuações aumentadas, sem sinais de irritação perianal ativa. A calprotectina fecal está elevada e a proteína C reativa situa-se próxima do limite superior da normalidade. Considerando a principal hipótese para o quadro e a necessidade de caracterizar a lesão para orientar a conduta, o exame mais adequado a ser solicitado é

  1. a enterorressonância magnética.
  2. a colonoscopia com ileoscopia e biópsias seriadas.
  3. a cápsula endoscópica do intestino delgado.
  4. a tomografia computadorizada de abdome sem contraste.

Resolução completa

Explicação passo a passo

A
Alternativa A

Alternativa A - a enterorressonância magnética.

Resumo da Resposta

O quadro clínico sugere uma estenose (estreitamento) intestinal causada pela Doença de Crohn, levando a um quadro de obstrução parcial. O exame de escolha para avaliar o intestino delgado, diferenciar inflamação ativa de fibrose e planejar o tratamento é a Enterografia por Ressonância Magnética (MRE).

Análise Detalhada

1. Interpretação do Quadro Clínico

O paciente apresenta sintomas clássicos de obstrução intestinal mecânica secundária à Doença de Crohn:

  • Dor pós-prandial: A dor aumenta após comer, indicando dificuldade na passagem do alimento por um segmento estreitado.
  • Vômitos e distensão: Sinais de refluxo e acúmulo de conteúdo proximal à obstrução.
  • Baixos marcadores inflamatórios: A PCR e a calprotectina fecal estão pouco elevadas, sugerindo que o problema não é uma crise inflamatória aguda pura, mas sim uma complicação estrutural (fibrose/estenose).

2. Por que a Enterorressonância Magnética (MRE)?

A Enterografia por Ressonância Magnética é o padrão-ouro atual para avaliação do intestino delgado em pacientes com Crohn, especialmente quando há suspeita de complicações estruturais.

  • Visualização do Intestino Delgado: Permite ver todo o trajeto do íleo (intestino delgado) e cólon, identificando o local exato da estenose.
  • Caracterização da Lesão: Ajuda a diferenciar se o estreitamento é devido a inflamação ativa (que pode responder a medicamentos) ou fibrose (que geralmente requer intervenção cirúrgica ou dilatação).
  • Segurança: Não utiliza radiação ionizante, o que é crucial para pacientes jovens (24 anos) que precisarão de acompanhamento ao longo da vida.

3. Análise das Alternativas Incorretas

ExameMotivo da Exclusão
Cápsula EndoscópicaContraindicada. Em pacientes com suspeita de estenose ou obstrução, existe alto risco da cápsula ficar retida ("presa") dentro do estreitamento, necessitando de cirurgia para remoção.
ColonoscopiaLimitada para avaliar o intestino delgado profundo (íleo terminal) e não visualiza bem complicações extraluminais (fístulas, abscessos) ou a extensão da fibrose fora do lúmen. Além disso, a insuflação de ar pode ser perigosa em obstrução.
Tomografia sem contrasteInsuficiente para avaliação detalhada da parede intestinal e mucosa. Para TC seria necessário protocolo de TC Enterográfica com contraste, mas a RM é preferível para evitar radiação.

Conclusão

Diante da suspeita de estenose fibrosa em paciente jovem com Doença de Crohn, a Enterorressonância Magnética oferece a melhor relação entre precisão diagnóstica, segurança (sem radiação) e capacidade de guiar a conduta terapêutica (cirurgia vs. terapia médica).

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