Medicina Múltipla Escolha

Homem de 38 anos, trabalhador rural que aplica inseticidas organofosforados há 6 anos, retorna à Unidade Básica de Saúde para reavaliação no programa de vigilância da saúde do trabalhador. Há 3 semanas apresentou quadro agudo leve de sialorreia e cólicas, atribuído à manejo inadequado do produto, com resolução após suporte clínico. Encontra-se assintomático e deseja voltar à atividade de pulverização. Não há fasciculações, força muscular preservada, nem queixas sensitivas distais. A equipe precisa decidir, com base em exame complementar, se a enzima-alvo das sinapses já se recuperou o suficiente para autorizar o retorno à exposição. Considerando o objetivo de avaliar a recuperação da enzima efetivamente inibida pelo organofosforado e orientar o retorno ao trabalho, o exame mais adequado é a

Homem de 38 anos, trabalhador rural que aplica inseticidas organofosforados há 6 anos, retorna à Unidade Básica de Saúde para reavaliação no programa de vigilância da saúde do trabalhador. Há 3 semanas apresentou quadro agudo leve de sialorreia e cólicas, atribuído à manejo inadequado do produto, com resolução após suporte clínico. Encontra-se assintomático e deseja voltar à atividade de pulverização. Não há fasciculações, força muscular preservada, nem queixas sensitivas distais. A equipe precisa decidir, com base em exame complementar, se a enzima-alvo das sinapses já se recuperou o suficiente para autorizar o retorno à exposição. Considerando o objetivo de avaliar a recuperação da enzima efetivamente inibida pelo organofosforado e orientar o retorno ao trabalho, o exame mais adequado é a

  1. dosagem da acetilcolinesterase eritrocitária.
  2. dosagem isolada da butirilcolinesterase plasmática.
  3. dosagem sérica direta do organofosforado.
  4. eletroneuromiografia de membros inferiores.

Resolução completa

Explicação passo a passo

A
Alternativa A

Alternativa A - Dosagem da acetilcolinesterase eritrocitária.

Introdução
O caso clínico apresenta um trabalhador exposto a organofosforados com histórico de intoxicação aguda recente. O objetivo central da questão é identificar qual exame complementar permite avaliar com segurança o retorno à atividade laboral, verificando a recuperação da enzima-alvo inibida pelo tóxico.

Desenvolvimento
Os organofosforados são agentes que causam a inibição da acetilcolinesterase, enzima responsável pela degradação do neurotransmissor acetilcolina nas fendas sinápticas. Quando essa enzima é bloqueada, ocorre superestimulação colinérgica, resultando nos sintomas observados (sialorreia, sudorese, cólicas).

Para monitorar a recuperação funcional e autorizar o retorno ao trabalho, é essencial medir a atividade da enzima nas terminações nervosas. Na prática clínica e na vigilância em saúde do trabalhador, utilizam-se duas principais medidas:

Tipo de EnzimaLocalizaçãoCorrelação ClínicaUso Principal
Acetilcolinesterase EritrocitáriaHemácias (glóbulos vermelhos)Alta (reflete as sinapses neuronais)Monitoramento de exposição e toxicidade
Butirilcolinesterase PlasmáticaPlasma (fígado)Baixa/Média (influenciada por outros fatores)Triagem inicial, mas menos específica

As hemácias não possuem mitocôndrias nem síntese proteica própria, portanto, a acetilcolinesterase nelas encontrada é idêntica à presente nas terminações nervosas. Isso faz dela o melhor indicador biológico do efeito real do tóxico no organismo.

Análise

  • Correção da Alternativa A: A dosagem da acetilcolinesterase eritrocitária é o padrão-ouro recomendado pelo Ministério da Saúde para monitoramento biológico de trabalhadores expostos a organofosforados e carbamatos. Ela indica diretamente se a capacidade de controlar a neurotransmissão foi restaurada.
  • Incorretude da Alternativa B: A dosagem isolada da butirilcolinesterase plasmática (pseudocolinesterase) cai mais rapidamente e sofre interferência de fatores não relacionados à exposição (como doenças hepáticas ou gestação), não refletindo fielmente o estado das sinapses.
  • Incorretude da Alternativa C: A meia-vida dos organofosforados no soro é muito curta (horas). Após 3 semanas, a substância química já teria sido metabolizada e eliminada, tornando a dosagem direta inútil para avaliar o estado atual do paciente.
  • Incorretude da Alternativa D: A eletroneuromiografia é indicada para investigar lesões neurais estruturais ou síndromes crônicas (como neuropatia retardada). Como o paciente está assintomático e sem déficit motor, o foco deve ser bioquímico (enzimático) e não eletrofisiológico.

Conclusão
Para determinar se a enzima sináptica se recuperou o suficiente para suportar nova exposição, a medida mais precisa e recomendada pelas diretrizes de saúde pública é a dosagem da acetilcolinesterase eritrocitária.

Alternativa A.

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