Medicina Múltipla Escolha

Homem de 38 anos, vítima de acidente automobilístico, dá entrada no Pronto-Socorro referindo dor torácica importante. Exame físico: sudooreico, taquipneico, FC: 125 bpm, PA: 80 x 50 mmHg, turigência jugular, escoriação e crepitação à palpação do 4º e 5º arcos costais à esquerda, ausência de murmúrio vesicular em hemitórax e bulhas rítmicas normofonéticas aos dois tempos. Nesse caso, a conduta a ser adotada deve ser:

Homem de 38 anos, vítima de acidente automobilístico, dá entrada no Pronto-Socorro referindo dor torácica importante. Exame físico: sudooreico, taquipneico, FC: 125 bpm, PA: 80 x 50 mmHg, turigência jugular, escoriação e crepitação à palpação do 4º e 5º arcos costais à esquerda, ausência de murmúrio vesicular em hemitórax e bulhas rítmicas normofonéticas aos dois tempos. Nesse caso, a conduta a ser adotada deve ser:

  1. Intubação orotraqueal.
  2. Pericardiocentese.
  3. Toracostomia com drenagem pleural fechada.
  4. Toracocentese de alívio.

Resolução completa

Explicação passo a passo

C
Alternativa C

Diagnóstico e Conduta

Alternativa C - Toracostomia com drenagem pleural fechada.

Análise Didática

Para resolver este caso, precisamos identificar o tipo de choque e a localização da lesão baseando-nos nos sinais clínicos apresentados.

1. Reconhecimento do Choque Obstrutivo
O paciente apresenta:

  • Hipotensão: PA 80 x 50 mmHg.
  • Taquicardia: FC 125 bpm.
  • Distensão Venosa: Turgência jugular.
    Essa tríade indica um choque obstrutivo, onde há bloqueio mecânico ao fluxo sanguíneo cardíaco. As duas principais causas em trauma torácico são Tamponamento Cardíaco e Pneumotórax Hipertensivo.

2. Diferenciação Clínica (Crucial)
Devemos diferenciar qual das duas condições está presente:

  • Tamponamento Cardíaco: Caracteriza-se pela Tríade de Beck (Hipotensão, Distensão de Jugulares e Murmúrios Cardíacos Abafados).
  • Pneumotórax Hipertensivo: Caracteriza-se por Hipotensão, Distensão de Jugulares e Ausência de Murmúrio Vesicular no lado afetado.

No enunciado, observamos:

  • "Ausência de murmúrio vesicular em hemitórax esquerdo": Indica que o pulmão daquele lado está colapsado (provavelmente por ar ou sangue).
  • "Bulhas rítmicas normofonéticas": Os sons cardíacos estão normais, o que descarta o Tamponamento Cardíaco (onde eles estariam abafados).
  • "Escoriação e crepitação... 4º e 5º arcos costais": Confirma trauma direto na parede torácica, facilitando a entrada de ar no espaço pleural.

3. Conclusão do Diagnóstico
O quadro é clássico de Pneumotórax Hipertensivo Traumático. Trata-se de uma emergência médica onde o acúmulo de ar no espaço pleural comprime o coração e os grandes vasos, impedindo o retorno venoso e causando choque.

4. Escolha da Conduta

  • (A) Intubação: É perigoso fazer ventilação mecânica antes de liberar a pressão do tórax, pois o ar positivo pode piorar o pneumotórax hipertensivo ("efeito balão"), levando à parada cardiorrespiratória.
  • (B) Pericardiocentese: É indicada para tamponamento cardíaco. Como descartamos esse diagnóstico (bulhas normais), esta conduta não resolveria o problema.
  • (D) Toracocentese de alívio: Embora possa ser usada como descompressão aguda emergencial, a conduta definitiva e padronizada para pneumotórax traumático com instabilidade é a drenagem torácica.
  • (C) Toracostomia com drenagem pleural fechada: É a conduta correta. Consiste na inserção de um tubo no espaço pleural para drenar o ar (e eventualmente sangue), permitindo a reexpansão do pulmão e normalização da hemodinâmica.

Resumo da Lógica:

SinalSignificado
Hipotensão + Jugulares DistendidasChoque Obstrutivo
Bulhas NormaisDescarta Tamponamento Cardíaco
Sem Murmúrio VesicularConfirma Pneumotórax
Conduta IdealDrenagem Torácica (Toracostomia)

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