Medicina Múltipla Escolha

Homem de 56 anos comparece à unidade básica de saúde com disfagia progressiva para sólidos há cerca de 4 meses, relatando necessidade de mastigar bem e ingerir líquidos para auxiliar a passagem do alimento. Refere pirose retroesternal e regurgitação ácida há mais de 10 anos, tratadas de forma irregular com antiácidos comprados por conta própria. Chama atenção que a queimação retroesternal, antes diária, diminuiu nos últimos meses. Apresenta perda ponderal de 3 kg, que atribui à redução da ingestar alimentar. Nega tabagismo, etilismo e história familiar de neoplasia. Exame físico sem alterações relevantes. Considerando a evolução clínica, qual é a hipótese diagnóstica mais provável?

Homem de 56 anos comparece à unidade básica de saúde com disfagia progressiva para sólidos há cerca de 4 meses, relatando necessidade de mastigar bem e ingerir líquidos para auxiliar a passagem do alimento. Refere pirose retroesternal e regurgitação ácida há mais de 10 anos, tratadas de forma irregular com antiácidos comprados por conta própria. Chama atenção que a queimação retroesternal, antes diária, diminuiu nos últimos meses. Apresenta perda ponderal de 3 kg, que atribui à redução da ingestar alimentar. Nega tabagismo, etilismo e história familiar de neoplasia. Exame físico sem alterações relevantes. Considerando a evolução clínica, qual é a hipótese diagnóstica mais provável?

  1. Acalásia idiopática.
  2. Estenose péptica do esôfago.
  3. Esofagite eosinofílica.
  4. Anel esofágico de Schatzki.

Resolução completa

Explicação passo a passo

B
Alternativa B

Alternativa B - Estenose péptica do esôfago

Introdução e Análise Clínica

O caso clínico descreve um paciente de 56 anos com histórico clássico de doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) não controlada há mais de 10 anos. A evolução para disfagia progressiva (dificuldade de engolir alimentos sólidos) associada à perda ponderal é o sinal chave para diferenciar as patologias esofágicas estruturais.

A hipótese diagnóstica mais provável é a Estenose Péptica, uma complicação crônica da DRGE onde a cicatrização repetida da mucosa esofágica leva ao estreitamento do lúmen.

Justificativa Didática

A escolha da alternativa correta baseia-se na correlação entre os sintomas e a fisiopatologia da lesão:

  1. Histórico de Refluxo Crônico: O paciente relata pirose e regurgitação ácida há mais de 10 anos. A exposição prolongada ao ácido gástrico causa esofagite química recorrente.
  2. Mecanismo de Formação da Estenose:
  • Inflamação contínua \rightarrow Úlcera esofágica.
  • Cicatrização \rightarrow Deposição de colágeno (fibrose).
  • Resultado \rightarrow Estreitamento do esôfago (estenose).
  1. Padrão de Disfagia: A disfagia começa com sólidos e progride para líquidos conforme o estenose se agrava. Isso indica obstrução mecânica, típica de estenoses ou tumores.
  2. Diminuição dos Sintomas Antigos: A redução da queimação retroesternal nos últimos meses pode ocorrer porque a mucosa foi substituída por tecido cicatricial menos sensível, ou devido à diminuição drástica da ingestão alimentar causada pela própria dificuldade de deglutição.
  3. Perda Ponderal: É consequência direta da dificuldade em ingerir alimentos suficientes (disfagia mecânica).

Comparativo com as Alternativas Incorretas

Diagnóstico DiferencialPor que não se encaixa?
Acalásia IdiopáticaGeralmente apresenta disfagia para sólidos e líquidos desde o início. Não há história longa de refluxo ácido típico.
Esofagite EosinofílicaFrequentemente associada a doenças alérgicas (asma, rinite). A disfagia costuma ser intermitente ou causar impaction de alimentos, sem o histórico clássico de refluxo ácido de 10 anos.
Anel de SchatzkiCausa disfagia intermitente a sólidos ("síndrome do bife"), mas geralmente não evolui com perda de peso significativa nem tem relação direta com refluxo crônico não tratado como causa primária.

Conclusão

A combinação de DRGE de longa duração seguida de disfagia progressiva a sólidos é o quadro clássico de complicações benignas do refluxo, especificamente a formação de estenose péptica. Embora o câncer de esôfago deva sempre ser investigado nesse perfil, entre as opções apresentadas, a estenose é a explicação mais coerente com o histórico clínico.

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