Medicina Múltipla Escolha

Homem de 67 anos, hipertenso controlado, comparece à Unidade Básica de Saúde com queixa de icterícia progressiva há cerca de um mês, associada à colúria, prurido intenso e perda ponderal de 6 kg no período. Refere ainda dor epigástrica leve com irradiação para o dorso. Ao exame, encontra-se em bom estado geral, afebril e hemodinamicamente estável, com icterícia ++/4+, escoriações cutâneas por coçadura e massa indolor, de consistência elástica, palpável em hipocôndrio direito, no cístico. A equipe da Estratégia Saúde da Família reconhece o conjunto de achados como sinais de alarme para neoplasia periampular. Considerando os recursos disponíveis na atenção primária e as ferramentas de coordenação do cuidado do SUS, qual é a conduta mais adequada?

Homem de 67 anos, hipertenso controlado, comparece à Unidade Básica de Saúde com queixa de icterícia progressiva há cerca de um mês, associada à colúria, prurido intenso e perda ponderal de 6 kg no período. Refere ainda dor epigástrica leve com irradiação para o dorso. Ao exame, encontra-se em bom estado geral, afebril e hemodinamicamente estável, com icterícia ++/4+, escoriações cutâneas por coçadura e massa indolor, de consistência elástica, palpável em hipocôndrio direito, no cístico. A equipe da Estratégia Saúde da Família reconhece o conjunto de achados como sinais de alarme para neoplasia periampular. Considerando os recursos disponíveis na atenção primária e as ferramentas de coordenação do cuidado do SUS, qual é a conduta mais adequada?

  1. Tranquilizar o paciente quanto à provável etiologia benigna e reavaliar a icterícia em três meses.
  2. Prescrever colestiramina e sintomáticos para o prurido, mantendo o seguimento na própria unidade.
  3. Solicitar dosagem de CA 19-9 na própria unidade para confirmar o diagnóstico de neoplasia periampular.
  4. Encaminhar pela central de regulação ao serviço de cirurgia do aparelho digestivo, com registro em prontuário eletrônico e teleconsultoria para priorização do caso.
  5. Realizar ultrassonografia abdominal para avaliar a permeabilidade das vias biliares.

Resolução completa

Explicação passo a passo

D
Alternativa D

Alternativa D - Encaminhar pela central de regulação ao serviço de cirurgia do aparelho digestivo, com registro em prontuário eletrônico e teleconsultoria para priorização do caso.

Introdução ao Caso Clínico

O paciente apresenta um quadro clássico de neoplasia periampular (provável carcinoma de cabeça do pâncreas ou colangiocarcinoma). Os principais sinais de alerta identificados são:

  • Icterícia progressiva associada a colúria (urina escura) e acolia (fezes claras);
  • Perda ponderal significativa (6 kg em um mês);
  • Massa indolor no hipocôndrio direito (vesícula palpável);
  • Prurido intenso (coceira devido à retenção de sais biliares na pele).

A presença de uma vesícula biliar distendida e palpável em um paciente com icterícia dolorosa ou indolor é conhecida como Sinal de Courvoisier, fortemente indicativo de obstrução maligna das vias biliares.

Análise da Conduta

No contexto do Sistema Único de Saúde (SUS) e da Atenção Primária à Saúde (APS), a equipe de Estratégia Saúde da Família (ESF) tem o papel fundamental de coordenar o cuidado e garantir o acesso rápido aos níveis de maior complexidade quando há risco à vida.

Por que a Alternativa D é correta:

  • Coordenação do Cuidado: A APS não possui capacidade diagnóstica definitiva nem terapêutica para neoplasias avançadas. O encaminhamento via central de regulação é o caminho correto para garantir vaga em especialidade.
  • Priorização: O uso de teleconsultoria permite que um especialista avalie o caso remotamente e determine a urgência, agilizando o diagnóstico por imagem (como tomografia) e biópsia.
  • Registro: O registro em prontuário eletrônico garante a rastreabilidade e continuidade do processo assistencial.

Por que as outras alternativas estão incorretas:

AlternativaMotivo do Erro
A (Esperar 3 meses)Negligência grave. Em casos de câncer pancreático, o tempo é crucial; esperar pode tornar o tumor irresecável.
B (Apenas sintomáticos)Trata apenas o sintoma (prurido) ignorando a causa raiz (obstrução tumoral). É conduta insuficiente.
C (Dosagem de CA 19-9)Marcadores tumorais têm baixa especificidade e não confirmam diagnóstico isoladamente. Além disso, a APS geralmente não realiza esse exame, devendo focar no encaminhamento.

Conclusão

A conduta mais adequada é o encaminhamento imediato para especialidade cirúrgica através dos mecanismos de regulação existentes, garantindo que o paciente seja avaliado por um gastroenterologista ou cirurgião hepatobiliar para investigação diagnóstica definitiva.

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