Medicina Múltipla Escolha

Mulher de 73 anos internada em unidade de emergência com quadro de hemiparesia esquerda de instalação súbita, iniciada há 5 horas. A tomografia de crânio com contraste excluiu hemorragia e ressonância confirma área de infarto pequena em território arterial cerebral média direita, com NIHSS atual de 4 pontos. A paciente é hipertensa e diabética. Durante a investigação, o eletrocardiograma e a monitorização revelam fibrilação atrial não valvar, sem evidência de trombo intracavitário ao ecocardiograma. A função renal é normal (clearance de creatinina de 68 mL/min) e não há sinais de transformação hemorrágica em tomografia de controle. A paciente evolui estável, sem novos déficits, e a equipe planeja a estratégia de prevenção secundária mais adequada para reduzir o risco de recorrência de eventos isquêmicos cerebrais. Diante do mecanismo etiológico identificado, a conduta de prevenção secundária mais apropriada é:

Mulher de 73 anos internada em unidade de emergência com quadro de hemiparesia esquerda de instalação súbita, iniciada há 5 horas. A tomografia de crânio com contraste excluiu hemorragia e ressonância confirma área de infarto pequena em território arterial cerebral média direita, com NIHSS atual de 4 pontos. A paciente é hipertensa e diabética. Durante a investigação, o eletrocardiograma e a monitorização revelam fibrilação atrial não valvar, sem evidência de trombo intracavitário ao ecocardiograma. A função renal é normal (clearance de creatinina de 68 mL/min) e não há sinais de transformação hemorrágica em tomografia de controle. A paciente evolui estável, sem novos déficits, e a equipe planeja a estratégia de prevenção secundária mais adequada para reduzir o risco de recorrência de eventos isquêmicos cerebrais. Diante do mecanismo etiológico identificado, a conduta de prevenção secundária mais apropriada é:

  1. manter apenas ácido acetilsalicílico 100 mg/dia por tempo indeterminado como antiagrombótico de escolha.
  2. instituir dupla antiagregação plaquetária com ácido acetilsalicílico e clopidogrel por tempo indefinido.
  3. iniciar heparina não fracionada em dose plena já na fase aguda para evitar recorrência embólica.
  4. iniciar anticoagulação oral com inibidor direto do fator Xa, com introdução guiada pela extensão do infarto.

Resolução completa

Explicação passo a passo

D
Alternativa D

Alternativa D - Iniciar anticoagulação oral com inibidor direto do fator Xa, com introdução guiada pela extensão do infarto.

Diagnóstico e Conduta

O caso clínico descreve uma paciente idosa que sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) Isquêmico de etiologia cardioembólica, decorrente da Fibrilação Atrial (FA) não valvar.

Os pontos cruciais para a tomada de decisão são:

  • Etiologia: Presença de FA confirmada por monitorização e ECG.
  • Risco de Recorrência: Alto (Idade \ge 65 anos, Hipertensão, Diabetes).
  • Estado Clínico: Estável, sem transformação hemorrágica.
  • Função Renal: Normal (Clearance de creatinina > 60 mL/min), permitindo uso seguro de novos anticoagulantes.

Fundamentação Teórica

Para pacientes com AVC isquêmico e Fibrilação Atrial, os antiagregantes plaquetários (como ácido acetilsalicílico ou clopidogrel) são considerados insuficientes para prevenir novas eventos embólicos. O padrão-ouro é a anticoagulação oral.

Atualmente, os Inibidores Diretos da Coagulação (DOACs), como os inibidores diretos do Fator Xa (ex: rivaroxabana, apixabana) ou a trombina direta (dabigatrana), são preferidos sobre a varfarina (antagonista da vitamina K) em pacientes não valvares devido ao perfil de segurança e eficácia superior.

Quanto ao tempo de início:

  • Não se deve iniciar imediatamente na fase aguda de grandes infartos devido ao risco de sangramento (transformação hemorrágica).
  • A conduta atual recomenda adiar o início baseado na gravidade e extensão do infarto (guia de tempo de espera). Para pequenos infartos, pode-se iniciar precocemente (cerca de 4 dias); para maiores, esperar 12-14 dias.

Análise das Alternativas

AlternativaAvaliaçãoMotivo
AIncorretaAntiagregante simples é inadequado para fonte cardioembólica (FA).
BIncorretaDupla antiagregação é usada em AVC não cardioembólico leve/isquemia transitória, não em FA crônica.
CIncorretaHeparina não fracionada é usada como ponte ou em casos específicos agudos, mas não é a estratégia definitiva de prevenção secundária a longo prazo.
DCorretaRepresenta o tratamento definitivo (DOAC) respeitando a janela de segurança baseada no tamanho do infarto.

Conclusão

A conduta correta prioriza a eficácia na prevenção de tromboembolia sistêmica associada à FA, utilizando anticoagulantes orais diretos (inibidores do Fator Xa). A introdução deve ser cuidadosamente planejada ("guiada pela extensão") para evitar complicações hemorrágicas, sendo esta a prática recomendada pelas diretrizes atuais de neurologia e cardiologia.

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