Alternativa B - Maculopatia tóxica
O caso clínico apresentado descreve um quadro clássico de toxicidade pelo uso prolongado de hidroxicloroquina, uma medicação frequentemente utilizada no tratamento de doenças autoimunes como Lúpus Eritematoso Sistêmico e Artrite Reumatoide.
Introdução ao Problema
A hidroxicloroquina possui a capacidade de se acumular nos tecidos oculares, especificamente na células do epitélio pigmentar da retina (EPR). Com o tempo, esse acúmulo pode levar a danos estruturais que comprometem a função visual central.
Os sintomas relatados são os sinais de alerta mais importantes:
- Metamorfopsia: A percepção de linhas retas como se fossem curvas ou distorcidas. Isso indica que a mácula (região central da retina responsável pela visão de detalhes) está funcionando de forma irregular.
- Dificuldade para leitura: A perda de agudeza visual central impede a distinção de letras pequenas, afetando diretamente a capacidade de leitura.
## Análise das Alternativas
Para confirmar a escolha correta, vamos analisar cada opção com base na fisiopatologia:
- A) Córnea verticillata: Embora seja uma alteração ocular associada à hidroxicloroquina, ela consiste em depósitos em espiral na córnea. Geralmente é assintomática e não causa perda visual significativa ou metamorfopsia. É considerada benigna.
- B) Maculopatia tóxica: Corresponde exatamente ao quadro descrito. A toxina afeta a mácula, podendo gerar lesões características ("olho de boi"). É a principal causa de cegueira relacionada a este medicamento.
- C) Paralisia do VI par: Causaria diplopia (visão dupla) devido à fraqueza muscular, mas não está ligada ao uso crônico deste fármaco nem à metamorfopsia.
- D) Glaucoma congênito: Como o nome indica ("congênito"), é uma condição presente desde o nascimento. Não tem relação com o uso de medicamentos na vida adulta.
- E) Conjuntivite viral: Trata-se de uma infecção inflamatória superficial. Causa vermelhidão, lacrimejamento e secreção, sem alterar a estrutura da retina ou causar distorção visual profunda.
Conclusão
A hidroxicloroquina exige monitoramento oftalmológico rigoroso (exame de fundo de olho e OCT) antes do início do tratamento e periodicamente durante o uso. A detecção precoce da maculopatia tóxica é essencial, pois o dano retinal é geralmente irreversível. Portanto, a alteração suspeitada é a Maculopatia tóxica.