Medicina Múltipla Escolha

Um homem de 35 anos, obeso mórbido, chegou ao pronto-socorro, conduzido pelo Corpo de Bombeiros, após um acidente automobilístico. Ele se queixa de fortes dores abdominais e, ao exame, está pálido, diaforético; FR: 26 mrpm; PA: 90/60 mmHg; FC: 120 bpm. Dosagem de lactato = 32,5 mmol/L. O próximo passo na abordagem desse paciente deverá ser o seguinte:

Um homem de 35 anos, obeso mórbido, chegou ao pronto-socorro, conduzido pelo Corpo de Bombeiros, após um acidente automobilístico. Ele se queixa de fortes dores abdominais e, ao exame, está pálido, diaforético; FR: 26 mrpm; PA: 90/60 mmHg; FC: 120 bpm. Dosagem de lactato = 32,5 mmol/L. O próximo passo na abordagem desse paciente deverá ser o seguinte:

  1. Solicitar uma tomografia computadorizada do abdome para investigar a causa da hemorragia intraabdominal.
  2. Realizar um Lavado Peritoneal Diagnóstico na sala de emergência, pelos médicos plantonistas.
  3. Realizar uma avaliação focada com exame de ultrassonografia para trauma (FAST) e, no caso positivo, indicar laparotomia.
  4. Indicar calça pneumática antichoque para promover estabilização hemodinâmica imediata.

Resolução completa

Explicação passo a passo

C
Alternativa C

Alternativa C

O cenário clínico apresentado descreve um paciente vítima de trauma fechado com sinais de choque hipovolêmico e agudo abdome, o que exige uma conduta rápida e precisa baseada nos protocolos internacionais de suporte ao trauma (como o ATLS).

Análise Clínica do Caso

Para identificar a resposta correta, precisamos decompor os dados fornecidos no enunciado:

  • Estado Hemodinâmico: O paciente apresenta taquicardia (FC: 120 bpm), hipotensão (PA: 90/60 mmHg) e confusão mental.
  • Marcador de Gravidade: A dosagem de lactato = 32,5 mmol/L é extremamente elevada (o valor normal geralmente é inferior a 2 mmol/L). Isso indica hipoperfusão tissular grave e hipóxia celular intensa, mesmo que os parâmetros tenham sido "mantidos" temporariamente após a reanimação inicial.
  • Sinais de Abdome Agudo:distensão e defesa abdominal (rigidez), o que sugere irritação peritoneal, provavelmente por sangramento ou lesão de víscera oca.
  • Comorbidade: O paciente é obeso mórbido, o que dificulta o exame físico tradicional e pode limitar a acurácia de alguns exames, mas não muda a prioridade da decisão cirúrgica.

Por que a Alternativa C é a Correta?

A conduta padrão em pacientes com trauma abdominal fechado depende fundamentalmente da estabilidade hemodinâmica e da presença de sinais de irritação peritoneal.

  • Protocolo ATLS: Pacientes instáveis ou com sinais de peritonismo (defesa abdominal) devem ser levados à cirurgia (laparotomia) imediatamente.
  • Papel do FAST: Antes da cirurgia, deve-se confirmar a presença de líquido livre (sangue) na cavidade abdominal de forma rápida e não invasiva. O exame FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) é o método de escolha para essa triagem na emergência.
  • Decisão: Se o FAST for positivo (presença de sangue) e houver suspeita clínica de lesão grave (sinais de choque + peritonismo), a indicação é laparotomia imediata.

Portanto, realizar o FAST para guiar a decisão cirúrgica é o passo mais seguro e ágil nesta situação.

Por que as outras alternativas estão incorretas?

  • A (Tomografia Computadorizada): A TC é o exame de escolha para pacientes estáveis e sem sinais de peritonismo. Neste caso, o paciente tem sinais de instabilidade fisiológica (lactato altíssimo) e peritonismo. Enviar o paciente à tomografia atrasaria o tratamento cirúrgico necessário para controlar a hemorragia.
  • B (Lavado Peritoneal Diagnóstico - LPD): É um procedimento invasivo que foi substituído pelo FAST na maioria dos centros de trauma modernos. Só é utilizado quando o FAST é inconclusivo ou indisponível.
  • D (Calça Pneumática Antishock - MAIST): O uso da calça antishock é considerado obsoleto nas diretrizes atuais de trauma. Ela pode até aumentar o risco de complicações e não substitui a ressuscitação volêmica adequada ou o controle cirúrgico da hemorragia.

Conclusão

Diante do quadro de choque traumático com sinais de peritonismo, a prioridade é o controle cirúrgico da hemorragia. O exame FAST serve como o elo rápido entre a suspeita clínica e a indicação cirúrgica definitiva.

Alternativa C.

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