Medicina Múltipla Escolha

Um paciente em tratamento com aripiprazol para bipolaridade apresenta-se estável com 6 semanas de tratamento, mas evoluiu com acatisia. Qual a melhor próxima conduta?

Um paciente em tratamento com aripiprazol para bipolaridade apresenta-se estável com 6 semanas de tratamento, mas evoluiu com acatisia. Qual a melhor próxima conduta?

  1. Reduzir aripiprazol e reavaliar em 7–10 dias; se persistir, considerar propranolol em baixa dose se não houver contraindicação.
  2. Introduzir benzodiazepínico diariamente por tempo indeterminado para “cobrir” a inquietação.
  3. Iniciar anticolinérgico de rotina (p.ex., biperideno) porque é primeira linha para acatisia.
  4. Trocar imediatamente para outro antipsicótico, mesmo sem tentativa de ajuste de dose/adjuvantes.

Resolução completa

Explicação passo a passo

A
Alternativa A

Alternativa A - Reduzir aripiprazol e reavaliar em 7–10 dias; se persistir, considerar propranolol em baixa dose se não houver contraindicação.

Justificativa Didática

O caso clínico descreve um paciente com acatisia, um efeito colateral comum de antipsicóticos (como o aripiprazol), caracterizado por uma sensação interna de inquietação e necessidade imperiosa de movimento. Como o paciente está clinicamente estável há 6 semanas, a prioridade é tratar o efeito adverso mantendo a estabilidade do transtorno bipolar.

## Manejo da Acatisia

As diretrizes clínicas para acatisia seguem uma hierarquia de intervenção:

  • Primeira linha: Ajuste da dose do antipsicótico causador. Se o paciente está estável, a redução da dose costuma aliviar os sintomas sem comprometer a eficácia terapêutica.
  • Segunda linha (Adjuvante): Se a redução da dose não resolver ou não for possível, utiliza-se propranolol (betabloqueador), que é considerado o tratamento farmacológico de escolha para acatisia.
  • Terceira linha: Benzodiazepínicos podem ser usados pontualmente, mas evitam-se o uso crônico devido ao risco de dependência.

## Análise das Alternativas Incorretas

AlternativaMotivo da Incorreção
B (Benzodiazepínico)O uso diário indefinido expõe o paciente a riscos de dependência e sedação excessiva, não sendo a primeira opção para manejo crônico.
C (Anticolinérgico)Medicamentos como biperideno são mais eficazes para Parkinsonismo (rigidez, tremor), não sendo a primeira escolha para acatisia isolada.
D (Trocar medicamento)Trocar imediatamente o antipsicótico é agressivo quando o paciente está estável; deve-se tentar ajustes de dose ou adjuvantes antes de perder o benefício do tratamento atual.

Conclusão

A alternativa A representa a conduta mais segura e baseada em evidências, pois busca primeiro minimizar o agente causador (redução de dose) e oferece uma estratégia farmacológica específica (propranolol) caso necessário, preservando a estabilidade do paciente.

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