Contabilidade Múltipla Escolha

As transferências intergovernamentais compreendem a entrega de recursos de um ente transferidor a outro denominado recebedor. O adequado registro dessas transferências evita a dupla contagem e favorece o controle dos recursos públicos. Segundo a contabilização prevista no MCASP, marque a alternativa CORRETA:

As transferências intergovernamentais compreendem a entrega de recursos de um ente transferidor a outro denominado recebedor. O adequado registro dessas transferências evita a dupla contagem e favorece o controle dos recursos públicos.

Segundo a contabilização prevista no MCASP, marque a alternativa CORRETA:

  1. As transferências voluntárias devem ser registradas como despesas pelo ente recebedor.
  2. As transferências voluntárias devem ser contabilizadas pelo ente transferidor sempre como dedução de receita.
  3. As transferências obrigatórias podem ser contabilizadas pelo ente transferidor como dedução de receita ou despesa orçamentária; neste último caso, se houver autorização no orçamento.
  4. Nas transferências voluntárias ocorridas no âmbito do orçamento do ente transferidor, a obrigação é reconhecida no momento da publicação da lei orçamentária.
  5. Nas transferências obrigatórias, o ente recebedor não pode registrar um direito a receber antes do momento da arrecadação.

Resolução completa

Explicação passo a passo

C
Alternativa C

Alternativa C

Contexto e Fundamentação Legal

Esta questão aborda o tratamento contábil das transferências intergovernamentais, regido principalmente pelo MCASP (Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público), que operacionaliza os princípios da Lei nº 4.320/1964 e da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

O ponto central é distinguir como o ente transferidor (quem envia) e o ente recebedor (quem recebe) devem classificar esses recursos no momento da escrituração.

Análise Detalhada

A alternativa correta reflete a flexibilidade prevista para as transferências obrigatórias na contabilidade pública:

  • Transferências Obrigatórias: São impostas por lei constitucional ou ordinária (ex: FPM, FPE). O ente transferidor pode registrar essas saídas como dedução da receita (para apresentar o saldo líquido) ou como despesa orçamentária, desde que haja autorização expressa no orçamento (LOA).
  • Transferências Voluntárias: Decorrem de convênios ou acordos. Para o ente transferidor, são sempre classificadas como Despesa Orçamentária. Para o recebedor, são classificadas como Receita Orçamentária.

Por que as outras alternativas estão incorretas?

  • Alternativa A: As transferências voluntárias representam entrada de recurso para quem recebe. Portanto, devem ser registradas como Receita, não como despesa.
  • Alternativa B: As transferências voluntárias não são dedução de receita para o transferidor. Elas constituem uma Despesa Orçamentária, pois decorrem de vontade livre dos entes (convênio), diferentemente das obrigatórias que muitas vezes são líquidas de receita.
  • Alternativa D: Nas transferências voluntárias, a obrigação só surge efetivamente quando ocorre o ato jurídico específico (como a assinatura do convênio ou empenho), e não apenas com a publicação da lei orçamentária. A lei orçamentária autoriza a execução, mas não cria automaticamente a dívida sem os atos complementares.
  • Alternativa E: Na contabilidade pública, vigora o regime de competência. O ente recebedor reconhece o direito creditício assim que preenchidos os requisitos legais para receber, independentemente do momento físico da arrecadação (entrada do dinheiro na conta).

Resumo Comparativo

Tipo de TransferênciaEnte Transferidor (Quem dá)Ente Recebedor (Quem pega)
VoluntáriaDespesa OrçamentáriaReceita Orçamentária
ObrigatóriaDedução de Receita OU Despesa (se autorizado)Receita Orçamentária

Conclusão

A regra do MCASP permite que, para transferências obrigatórias, o ente opte pela apresentação líquida (dedução da receita) ou bruta (como despesa), condicionando esta última à autorização no orçamento anual. Isso garante transparência na demonstração das contas públicas sem violar o princípio da universalidade.

Portanto, a alternativa C é a única que descreve corretamente a norma técnica vigente.

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