Análise da Questão
A questão aborda a estratégia de gestão da dívida pública brasileira adotada pelo Tesouro Nacional no período anterior à crise financeira global de 2008. Para responder corretamente, é necessário compreender dois pilares fundamentais da política fiscal da época: a redução da exposição cambial e a gestão eficiente da curva de juros.
1. Redução do Risco Cambial
No período pré-2008, o Brasil vivia um ciclo de alta nas exportações e entrada massiva de capitais. Embora houvesse uma "boa avaliação externa", o Tesouro buscava mitigar riscos futuros. A dívida pública brasileira possuía, historicamente, uma parcela significativa de títulos atrelados ao dólar ou ao câmbio (como as NTNs-F).
- Estratégia: Para reduzir a vulnerabilidade do país a flutuações bruscas da moeda americana, o Tesouro optou por vender esses títulos indexados ao câmbio (ou recomprá-los para cancelar), reduzindo a exposição cambial do passivo público.
2. Gestão da Curva de Juros (Selic)
A segunda parte da questão diz respeito à negociação de títulos prefixados (Pré) e pós-fixados (atrelados à Selic). Aqui, aplica-se a relação fundamental entre Taxa de Juros e Preço do Título Público:
- Relação Inversa: O preço dos títulos prefixados move-se na direção oposta à taxa de juros.
- Quando a Selic está Alta, o preço de mercado dos títulos prefixados antigos (ou novos emitidos com taxas menores) tende a cair. Isso cria uma oportunidade de compra (garantir uma taxa de retorno alta hoje para o longo prazo).
- Quando a Selic está Baixa, o preço dos títulos prefixados está valorizado (caro). Não é o momento ideal de compra agressiva de ativos de taxa fixa.
Portanto, a estratégia racional de tesouraria seria:
- Comprar Pré em alta da Selic: Aproveitar o preço baixo do título para travar uma taxa de juros elevada (hedge contra futuras quedas de renda).
- Comprar Pós em baixa da Selic: Quando a taxa de juros de referência está baixa, o custo de carregar uma dívida pós-fixada é menor, tornando-a mais atraente para rolagem de dívida.
## Análise das Alternativas
| Alternativa | Ação Cambial | Ação Juros (Lógica) | Veredito |
|---|
| A | Compra de indexados a dólar | Compra de pré em baixa Selic | Incorreta. Aumenta risco cambial. |
| B | Venda de indexados a dólar | Compra de pré em baixa Selic | Incorreta. Comprar pré quando a Selic está baixa é caro (preço do título alto). |
| C | Venda de indexados a dólar | Compra de pré em alta da Selic | Correta. Reduz risco cambial e aproveita preço baixo do pré. |
| D | Não alterou | - | Incorreta. Houve mudança ativa de perfil. |
| E | Aumentou captação externa | - | Incorreta. O foco era internalizar a dívida. |
Conclusão
A alternativa correta é a C, pois descreve exatamente o movimento de redução da dívida atrelada ao câmbio (protegendo o balanço público) aliado a uma operação financeira inteligente na curva de juros (comprar ativos prefixados quando as taxas estão altas e seus preços estão baixos).
Alternativa C