Enfermagem Múltipla Escolha

Mulher, 79 anos, é acompanhada pela equipe de Saúde da Família por declínio cognitivo progressivo há cerca de 3 anos. Apresenta dificuldade de memória recente, desorientação espacial e prejuízo na execução de tarefas instrumentais, evoluindo nos últimos meses com dependência para banho e alimentação. Na avaliação atual, apresenta escore de 14/30 no Mini-Exame do Estado Mental (MEEM). Reside com a filha de 50 anos, sua principal cuidadora, com quem apresenta sobrecarga. Refere que precisou abandonar o trabalho para cuidar da mãe e os dois irmãos não participam do cuidado. Durante a consulta, a filha demonstra ambivalência entre manter o cuidado domiciliar e considerar institucionalização. Qual é a melhor conduta para o planejamento do cuidado?

Mulher, 79 anos, é acompanhada pela equipe de Saúde da Família por declínio cognitivo progressivo há cerca de 3 anos. Apresenta dificuldade de memória recente, desorientação espacial e prejuízo na execução de tarefas instrumentais, evoluindo nos últimos meses com dependência para banho e alimentação. Na avaliação atual, apresenta escore de 14/30 no Mini-Exame do Estado Mental (MEEM). Reside com a filha de 50 anos, sua principal cuidadora, com quem apresenta sobrecarga. Refere que precisou abandonar o trabalho para cuidar da mãe e os dois irmãos não participam do cuidado. Durante a consulta, a filha demonstra ambivalência entre manter o cuidado domiciliar e considerar institucionalização. Qual é a melhor conduta para o planejamento do cuidado?

  1. Manter o cuidado centrado na paciente, com ajustes farmacológicos, avaliando a necessidade de intervenção junto à família em consultas futuras.
  2. Realizar abordagem familiar estruturada, incluindo avaliação da sobrecarga do cuidador, articulação de rede de apoio e construção compartilhada do plano de cuidado.
  3. Proceder à formalização de curatela antes de qualquer decisão sobre o plano terapêutico.
  4. Indicar institucionalização imediata, considerando o grau de dependência funcional e a sobrecarga da cuidadora.

Resolução completa

Explicação passo a passo

B
Alternativa B

Alternativa B - Realizar abordagem familiar estruturada, incluindo avaliação da sobrecarga do cuidador, articulação de rede de apoio e construção compartilhada do plano de cuidado.

Justificativa Didática

Esta questão aborda o manejo de casos de demência (provável Doença de Alzheimer) na atenção primária, focando na dinâmica entre o paciente, a doença e a família cuidadora.

Pontos Chave do Caso:

  • Paciente: Demência moderada/grave (MEEM 14/30, dependência funcional avançada).
  • Cuidador (Filha): Sinais claros de Síndrome do Cuidador Sobrecarregado (exaustão, insônia, abandono do trabalho).
  • Conflito: Ambivalência da família e risco de ruptura do cuidado domiciliar.

Por que a Alternativa B é a Correta?

Na Estratégia Saúde da Família (ESF), a família é considerada a unidade básica de cuidado. Quando um membro está doente cronicamente, o impacto recai sobre todo o núcleo familiar.

  1. Abordagem Centrada na Família: Não basta tratar a paciente; é necessário avaliar quem cuida dela. A sobrecarga da filha é um fator de risco grave que pode levar ao colapso total do sistema de suporte.
  2. Rede de Apoio: Como os irmãos não participam, a equipe deve atuar para articular essa rede ou buscar recursos comunitários/sociais.
  3. Planejamento Compartilhado: A decisão de institucionalizar ou manter em casa deve ser construída junto com a família, respeitando seus valores e capacidades reais, evitando decisões precipitadas.

Análise das Outras Alternativas

AlternativaErro Principal
(A)Ignora a crise aguda da cuidadora. Apenas ajustar medicação não resolve a falta de suporte social e a exaustão física/mental.
(C)Curatela é um processo judicial longo. Não deve ser prioridade antes do plano terapêutico, pois atrasa o cuidado imediato e a avaliação da sobrecarga.
(D)Institucionalização imediata é uma medida drástica. Deve-se esgotar as possibilidades de suporte domiciliar antes, especialmente dado o histórico da paciente ("não queria dar trabalho").

Conclusão

A melhor conduta é aquela que promove o cuidado integrado, fortalecendo a família e prevenindo o abandono do tratamento ou o colapso do cuidador. Isso se alinha aos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), que valoriza a integralidade e a humanização do cuidado.

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