Alternativa A - isso acontece porque L1 dos ouvintes é a língua portuguesa, diferente dos surdos, em que L1 é a língua de sinais.
Análise da Questão
Esta questão aborda conceitos fundamentais de linguística, especificamente sobre bilinguismo, primeira língua (L1) e a influência dela na produção escrita.
Conceitos-Chave
- L1 (Primeira Língua): É a língua adquirida naturalmente durante a primeira infância, servindo como base para o pensamento e organização mental.
- L2 (Segunda Língua): É qualquer outra língua aprendida após a L1, muitas vezes através de estudo formal.
- Interferência Linguística: Quando falantes usam estruturas da sua L1 ao produzir textos ou falar uma L2, resultando em diferenças de construção frasal.
Explicação Didática
Para entender por que a escrita de sujeitos surdos pode diferir da norma padrão, precisamos analisar a origem da linguagem de cada grupo:
- Sujeitos Ouvintes:
- Sua L1 é a língua portuguesa.
- Eles pensam e organizam ideias na estrutura do português nativamente.
- Logo, a escrita flui naturalmente conforme as regras gramaticais do português.
- Sujeitos Surdos (na perspectiva do bilinguismo):
- Para muitos surdos, a L1 é a Língua Brasileira de Sinais (Libras).
- O português é aprendido geralmente como L2 (segunda língua), pois a modalidade oral não é acessível de forma natural.
- Ao escrever, o indivíduo frequentemente traduz mentalmente a estrutura sintática da Libras (L1) para o português escrito (L2). Como a Libras possui gramática própria (diferente do português), isso gera construções textuais distintas da norma culta esperada para ouvintes.
Comparativo
| Grupo | Primeira Língua (L1) | Segunda Língua (L2) | Influência na Escrita |
|---|
| Ouvintes | Português | Geralmente nenhuma ou estrangeira | Estrutura padrão do Português |
| Surdos | Língua de Sinais (Libras) | Português | Tradução da estrutura da Libras |
Por que a alternativa A está correta?
A alternativa A identifica corretamente que a divergência na escrita ocorre porque a base cognitiva (L1) é distinta: o português para ouvintes e a língua de sinais para surdos. Essa diferença na L1 é o fator causal principal para as variações na construção textual relatadas pelos pesquisadores.
As outras alternativas estão incorretas porque atribuem erroneamente a língua de sinais como L2 para os surdos (alternativas B e C), ignorando o papel da Libras como língua materna na comunidade surda.