Geral Múltipla Escolha

Quando o poder deixa de operar a partir da excepcionalidade episódica e passa a se organizar em torno da exceção como princípio, a política se reconfigura como gestão contínua da ameaça. Nesse regime, a emergência não é um acontecimento, mas uma condição fabricada, reiterada e administrada. A produção do inimigo torna-se, então, um dispositivo estruturante, por meio do qual se define quem vive e quem pode ser exposto à morte. A soberania se exerce menos pela garantia da vida do que pela autorização para matar, abandonar ou deixar morrer, transformando certos corpos em territórios permanentemente vulneráveis à destruição. MBEMBE, Achille. Necropolítica. São Paulo: N-1 Edições, 2018. (adaptado) A reflexão apresentada no texto problematiza um modo de exercício do poder marcado pela

Quando o poder deixa de operar a partir da excepcionalidade episódica e passa a se organizar em torno da exceção como princípio, a política se reconfigura como gestão contínua da ameaça. Nesse regime, a emergência não é um acontecimento, mas uma condição fabricada, reiterada e administrada. A produção do inimigo torna-se, então, um dispositivo estruturante, por meio do qual se define quem vive e quem pode ser exposto à morte. A soberania se exerce menos pela garantia da vida do que pela autorização para matar, abandonar ou deixar morrer, transformando certos corpos em territórios permanentemente vulneráveis à destruição.
MBEMBE, Achille. Necropolítica. São Paulo: N-1 Edições, 2018. (adaptado)
A reflexão apresentada no texto problematiza um modo de exercício do poder marcado pela

  1. diferenciação política de direitos.
  2. expansão estatal do controle social.
  3. normalização da violência política.
  4. prevalência da legalidade institucional.
  5. centralidade da ordem democrática.

Resolução completa

Explicação passo a passo

C
Alternativa C

Análise da Questão

Alternativa C - Normalização da violência política

Compreensão do Texto

O texto de Achille Mbembe sobre necropolítica descreve uma transformação fundamental no exercício do poder político. Quando a exceção deixa de ser episódica e se torna princípio organizador, ocorre uma mudança estrutural na relação entre Estado e cidadãos.

Pontos-chave do enunciado:

  • Emergência não é mais acontecimento, mas condição fabricada e administrada
  • Produção do inimigo define quem vive e quem pode ser exposto à morte
  • Soberania exerce-se menos pela garantia da vida que pela autorização para matar
  • Certos corpos tornam-se permanentemente vulneráveis à destruição

Por Que a Alternativa C Está Correta?

ConceitoExplicação
NormalizaçãoO texto mostra quando a exceção se torna regra
Violência políticaAutorização sistemática para abandonar ou deixar morrer
MecanismoInimigo como dispositivo estruturante do poder

A alternativa C captura exatamente essa ideia: quando o regime opera baseado na exceção constante, a violência deixa de ser pontual e se torna método de governança. Isso caracteriza a normalização da violência política.

Por Que As Outras Estão Incorretas?

  • A: Embora haja diferenciação entre quem vive/morre, o foco não é direitos, mas a gestão da ameaça
  • B: O texto critica a lógica do poder, não especificamente expansão estatal
  • D: É o oposto — há ruptura da legalidade institucional tradicional
  • E: Necropolítica descreve regimes antitéticos à ordem democrática

Conclusão

A reflexão de Mbembe problematiza como o poder pode transformar a violência em norma de governo, onde a exceção ao invés de quebrar a regra passa a constituir a regra. Isso caracteriza a normalização da violência política como forma de soberania.

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