Adeus, meus sonhos! eu pranteio e morro! Adeus, meus sonhos, eu não levo saudade! É tanta vida que meu peito enchia Misérrimo! Votei meus pobres dias À sina doida de um amor sem fruto, E minh'alma na treva agora dorme Como um olhar que a morte envolve em luto. Que me resta, meu Deus? Morra comigo A estrela de meus cândidos amores. Já não vejo no meu peito amores Um punhado sequer de murchas flores! O poema de Álvares de Azevedo explora traços centrais do Romantismo ao
Adeus, meus sonhos! eu pranteio e morro!
Adeus, meus sonhos, eu não levo saudade!
É tanta vida que meu peito enchia
Misérrimo! Votei meus pobres dias
À sina doida de um amor sem fruto,
E minh'alma na treva agora dorme
Como um olhar que a morte envolve em luto.
Que me resta, meu Deus? Morra comigo
A estrela de meus cândidos amores.
Já não vejo no meu peito amores
Um punhado sequer de murchas flores!
O poema de Álvares de Azevedo explora traços centrais do Romantismo ao
- adotar uma leitura moderada da paixão como sentimento que deve ser enfrentado com cautela.
- tratar o desencanto afetivo como tema estruturante que reorganiza a percepção existencial do sujeito.
- apresentar a idealização amorosa como caminho de esperança de restaurar a vitalidade interior.
- construir a imagem da natureza como protetora que suaviza a experiência dolorosa do sentimento.
- explorar a tensão razão e emoção por meio de um eu lírico dividido entre controle e sensibilidade.