Literatura Múltipla Escolha

Grita a Amazônia, antes que desabe Caço de tacape, danço o ritual Tenho o sangue que semeia a nação original Eu aprendi o português, a língua do opressor Pra te provar que meu penar também é sua dor Falar de amor enquanto a mata chora É luta sem flecha, da boca pra fora ACADÊMICOS DO SALGUEIRO. Hutukara. In: Sambas de Enredo. Rio de Janeiro: Edimusa, 2023. O samba-enredo de 2024 da escola de samba Salgueiro, ao propor uma reflexão acerca da sociedade brasileira, continua

Grita a Amazônia, antes que desabe
Caço de tacape, danço o ritual
Tenho o sangue que semeia a nação original
Eu aprendi o português, a língua do opressor
Pra te provar que meu penar também é sua dor
Falar de amor enquanto a mata chora
É luta sem flecha, da boca pra fora

ACADÊMICOS DO SALGUEIRO. Hutukara. In: Sambas de Enredo.
Rio de Janeiro: Edimusa, 2023.

O samba-enredo de 2024 da escola de samba Salgueiro, ao propor uma reflexão acerca da sociedade brasileira, continua

  1. a continuidade de conflitos étnico-históricos.
  2. elogio da miscigenação racial brasileira.
  3. uso da noção de prova do cientificismo.
  4. troca linguística equitativa bidirecional.
  5. limitação da noção eurocêntrica de amor.

Resolução completa

Explicação passo a passo

A
Alternativa A

Alternativa A - Continuidade de conflitos étnico-históricos

Introdução

A questão solicita uma interpretação do samba-enredo "Hutukara", apresentado pela escola de samba Acadêmicos do Salgueiro no carnaval de 2024. Para responder corretamente, é necessário analisar os versos à luz da história do Brasil e das relações entre a sociedade contemporânea e os povos originários.

Análise da Letra do Samba

Os versos apresentados trazem elementos centrais para compreender o tema proposto:

  • "Tenho o sangue que semeia a nação original": Refere-se à herança genética e cultural dos povos indígenas, base fundamental da formação populacional brasileira.
  • "Eu aprendi o português, a língua do opressor": Indica a imposição colonial da língua portuguesa, reconhecida aqui como ferramenta de dominação e não apenas de comunicação neutra.
  • "Grita a Amazônia, antes que desabe": Aponta para a urgência ambiental e a ameaça constante aos territórios tradicionais.
  • "Falar de amor enquanto a mata chora / É luta sem flecha, da boca pra fora": Critica a hipocrisia social que discursa valores humanos enquanto ignora a destruição da natureza e dos povos.

Por que a Alternativa A está correta?

A alternativa (A) é a correta porque a letra evidencia a perpetuação de tensões herdadas do processo de colonização.

Elemento do TextoSignificado Histórico/Social
"Nação original"Existência e resistência dos povos indígenas
"Língua do opressor"Violência cultural e assimilação forçada
"Antes que desabe"Conflito atual entre preservação e exploração

O samba denuncia que, apesar dos avanços sociais, as relações desiguais entre colonizadores e colonizados (e seus descendentes) ainda geram conflitos étnicos e ambientais. A "dor" mencionada nos versos conecta a história passada com a realidade presente, confirmando a continuidade desses problemas.

Por que as outras alternativas estão incorretas?

  • (B) Elogio da miscigenação racial: O texto não celebra a mistura racial como um todo, mas foca na identidade específica da "nação original" e na crítica ao "opressor".
  • (C) Uso da noção de prova do cientificismo: Não há referências a métodos científicos, dados empíricos ou lógica formal no trecho.
  • (D) Troca linguística equitativa bidirecional: A frase "língua do opressor" contradiz a ideia de equidade. O aprendizado do português foi resultado de uma imposição colonial, não de uma troca voluntária e igualitária.
  • (E) Limitação da noção eurocêntrica de amor: Embora critique o discurso vazio ("boca pra fora"), o foco principal não é redefinir o conceito de amor, mas denunciar a incoerência moral frente à destruição ambiental e social.

Conclusão

O samba-enredo funciona como um instrumento de crítica social, utilizando a arte para lembrar que as questões indígenas e ambientais não são coisas do passado, mas desafios atuais. A letra reforça que a história do Brasil ainda carrega as marcas dos conflitos entre a ocupação territorial moderna e a sobrevivência dos povos originários.

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