Literatura Múltipla Escolha

Na frase de César Augusto – “Apressa-te devagar.” – há a presença de um paradoxo, ou seja, o emprego de palavras que contrariam a lógica ou o senso comum, o que também ocorre na seguinte frase de Machado de Assis:

Na frase de César Augusto – “Apressa-te devagar.” – há a presença de um paradoxo, ou seja, o emprego de palavras que contrariam a lógica ou o senso comum, o que também ocorre na seguinte frase de Machado de Assis:

  1. “Faria, apesar do dia e da festa, ria mal, ria sério, ria aborrecido, não acho forma de dizer que exprima com exação a verdade.” (Memorial de Aires);
  2. “Mas já que falei dos meus tios, deixem-me aqui fazer um curto espaço genealógico.” (Memórias Póstumas de Brás Cubas);
  3. “Sabemos que a moça não era bonita. Pois estava linda, à força da felicidade.” (Quincas Borba);
  4. “Estava em casa de D. Cesária, onde a irmã escurecia tudo com a sua viuvez recente.” (Memorial de Aires);
  5. “Eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor.” (Memórias Póstumas de Brás Cubas).

Resolução completa

Explicação passo a passo

E
Alternativa E

Alternativa E - "Eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor." (Memórias Póstumas de Brás Cubas)

Análise do Paradoxo Literário

O que é um Paradoxo?

Um paradoxo literário ocorre quando palavras ou ideias aparentemente contraditórias se unem para revelar uma verdade mais profunda. Não é apenas uma contradição sem sentido, mas uma construção que desafia o senso comum para expressar algo complexo.

Exemplo clássico: "Apressa-te devagar" combina dois advérbios opostos para transmitir a ideia de que certos processos requerem cuidado mesmo na urgência.

Análise das Alternativas

AlternativaConteúdoContém Paradoxo?
AContraste entre festa e riso triste❌ Não
BTransição narrativa sobre genealogia❌ Não
CContraste feio/linda por felicidade⚠️ Metáfora
DViuvez como elemento que "escurece"❌ Metáfora
EAutor defunto vs. defunto autor✅ Sim

Por que a Alternativa E é Correta?

Na frase de Machado de Assis há uma inversão paradoxal de termos:

  1. "Autor defunto" = pessoa que era autora e morreu
  2. "Defunto autor" = pessoa que é autora sendo morta (contradição lógica)

Essa construção cria o mesmo efeito paradoxal de César Augusto:

FraseElementos ContraditóriosSignificado
"Apressa-te devagar"apressar + devagarUrgência com cuidado
"Defunto autor"morto + escrevendoNarrador pós-morte

O narrador de Memórias Póstumas usa esse paradoxo para estabelecer sua voz única: alguém que escreve como se estivesse vivo, mas que já está morto.

Conclusão

A alternativa E apresenta o verdadeiro paradoxo, pois utiliza a inversão sintática para criar uma contradição lógica que reflete a condição peculiar do narrador defunto que continua escrevendo.

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