Alternativa D - O sofrimento de uma mãe de classe baixa que precisa sustentar seus filhos.
Análise Detalhada
O texto extraído do conto "Maria", de Conceição Evaristo, é um exemplo clássico da literatura brasileira contemporânea voltada para a representação de sujeitos marginalizados, especificamente mulheres negras pobres nas grandes cidades.
Para identificar a alternativa correta, devemos analisar os elementos narrativos presentes no trecho:
1. Identificação do Protagonista e seu Contexto
- Classe Social: O texto revela claramente a condição econômica precária através de detalhes como o cansaço ao esperar o ônibus, o medo do aumento da passagem e o fato de levar restos de comida de uma "patroa" ("ossos do pernil e as frutas").
- Papel Materno: Há forte ênfase na maternidade e na responsabilidade familiar. Ela preocupa-se com a saúde dos filhos ("dois filhos menores estavam muito gripados") e planeja compras essenciais ("comprar xarope", "lata de Toddy").
2. A Condição Laboral
- A personagem trabalha em serviço doméstico ou similar ("cortava o pernil para a patroa").
- O trabalho causa danos físicos à sua integridade ("A palma de uma de suas mãos doía... enquanto cortava o pernil"). Isso ilustra a exploração e o desgaste físico inerentes a essa condição de classe.
3. Por que a Alternativa D é a Correta?
A questão pede para identificar a tendência de abordar "temas sociais e das agruras de segmentos marginalizados".
- A narrativa não foca apenas na pobreza, mas especificamente na luta de uma mãe para manter seus filhos vivos e saudáveis diante de dificuldades materiais e físicas.
- Frases como "Precisava comprar xarope" e "Será que os meninos iriam gostar de melão?" humanizam a personagem e destacam o esforço diário de sustento.
Por que as outras alternativas estão incorretas?
- (A) Incorporação do pensamento do opressor: Não há evidências no texto de que a personagem tenha adotado a visão de mundo da patroa. Pelo contrário, ela sofre as consequências do trabalho para ela.
- (B) Perda de identidade/desistência: A personagem está exausta ("cansada"), mas ainda está tentando sobreviver e cuidar da família, não demonstrando desistência total da vida.
- (C) Solidariedade: O texto foca na solidão e no isolamento da personagem ("parada há mais de meia hora"), sem mencionar apoio da comunidade ou solidariedade coletiva neste momento específico.
- (E) Revolta do trabalhador: Embora haja uma frase final contundente sobre a faca cortar a vida, o tom predominante é de resignação frente às dificuldades e sobrevivência, não de uma revolta organizada ou conscientização política ativa contra a condição de trabalho.