Literatura Múltipla Escolha

No poema, Bolos rios que vão Por Babilônia me achei, As lembranças de Sião E quanto nela passei, Ali o rio corrente De meus olhos foi manado. Babilônia ao mal presente, Sião ao tempo passado. [...] Mas d tu, terra de Glória, como me lembras na ausência? Senão na reminiscência, que a alma é tábua rasa, celeste, tanto imagina que voa da própria casa sobe à pátria divina. No poema, a expressão “terra de Glória” se associa:

No poema,

Bolos rios que vão
Por Babilônia me achei,
As lembranças de Sião
E quanto nela passei,
Ali o rio corrente
De meus olhos foi manado.
Babilônia ao mal presente,
Sião ao tempo passado.

[...]
Mas d tu, terra de Glória,
como me lembras na ausência?
Senão na reminiscência,
que a alma é tábua rasa,
celeste, tanto imagina
que voa da própria casa
sobe à pátria divina.

No poema, a expressão “terra de Glória” se associa:

  1. a Sião, concebida como metonímia da tradição religiosa bíblica.
  2. a Babilônia, entendida como lugar de tristeza que serviu de lição para o poeta.
  3. a Sião, definida como manifestação da vida terrena feliz, perdida com a aproximação da morte.
  4. a Babilônia, compreendida como manifestação de uma infância livre, em oposição às regras da vida adulta.
  5. tanto a Sião quanto a Babilônia, em diferentes momentos da vida do poeta.

Resolução completa

Explicação passo a passo

C
Alternativa C

Alternativa C

O poema apresentado é um soneto clássico atribuído a Luís de Camões, obra que reflete o conflito entre o sofrimento do exílio (Babilônia) e a nostalgia de uma época feliz (Sião).

Análise do Contexto Literário

O texto constrói uma oposição central entre dois lugares simbólicos:

  • Babilônia: Representa o "mal presente", o local de sofrimento, exílio e tristeza.
  • Sião: Representa o "tempo passado", associada à memória, à essência perdida e à glória.

A expressão "terra de Glória" aparece na segunda estrofe como uma direção direta ao lugar idealizado. O poeta questiona se nunca viu sua essência, sugerindo que ela existe mais na memória ("reminiscência") do que na realidade atual.

Justificativa da Resposta

A alternativa C é a correta porque alinha-se às interpretações tradicionais desta obra nos estudos literários brasileiros:

  • Identificação com Sião: O poema vincula diretamente a "terra de Glória" à figura de Sião, mencionada anteriormente como o "tempo passado".
  • Felicidade Terrena Perdida: Para Camões, Sião simboliza sua pátria (Portugal) ou um estado de bem-estar vivido antes do exílio. Portanto, trata-se de uma felicidade terrena que foi perdida com o tempo e o afastamento.
  • Aproximação da Morte: O final do poema fala da alma subindo à "pátria divina", indicando que a recuperação plena dessa glória só seria possível após a morte, fechando o ciclo da perda da vida terrena feliz.

Comparativo com as Outras Alternativas

AlternativaMotivo da Incorreção
AFoca apenas na tradição religiosa (metonímia), ignorando o aspecto biográfico e emocional da perda pessoal do poeta.
BConfunde os símbolos: Babilônia é o lugar da tristeza, não da glória.
DNão há referência explícita à infância no texto; o foco é o "tempo passado" geral ligado ao exílio.
ESião e Babilônia funcionam como polos antagônicos no poema, não como momentos equivalentes de vida.

Conclusão

A alternativa C é a única que consegue sintetizar corretamente a relação entre Sião e a Terra de Glória, entendendo-as como a representação de uma felicidade passada (terrena) que o poeta lamenta ter perdido diante do presente amargo e da proximidade da morte.

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