Alternativa D
O poema "Metáfora", de Gilberto Gil, explora a liberdade da linguagem poética em contraposição ao significado literal das palavras. A questão solicita a análise correta sobre como o texto trata essa relação entre palavra comum e sentido artístico.
Análise Detalhada
Para compreender a resposta correta, é necessário decompor a estrutura argumentativa do poema:
- Contraste Literal x Poético:
- O poeta inicia estabelecendo o sentido denotativo: "Uma lata existe para conter algo" e "Uma meta existe para ser um alvo".
- Imediatamente, ele introduz o sentido conotativo (poético): "Mas quando o poeta diz: 'Lata' / Pode estar querendo dizer o incontível". Isso mostra que a palavra ganha uma nova capacidade de significar.
- A Liberdade do Poeta:
- No terceiro quarteto, Gil afirma que "Na lata do poeta tudonada cabe". Isso reforça que o artista pode colocar qualquer coisa (até o "incabível") no seu texto, sem restrições lógicas ou gramaticais rígidas.
- O comando "não se meta a exigir do poeta / Que determine o conteúdo" indica que o criador tem autonomia sobre a obra.
- O Papel da Metáfora:
- A conclusão do poema ("Deixe-a simplesmente metáfora") sintetiza o tema central. A metáfora é o mecanismo que permite que o objeto (lata) ou conceito (meta) transcendam sua definição original.
Por que a Alternativa D está correta?
A alternativa D resume precisamente esse movimento. Ela afirma que o "ideal metafórico permite à sentença... adquirir novos significados". Isso correlaciona diretamente com a primeira estrofe, onde a palavra "Lata" deixa de ser um recipiente físico para representar "o incontível". O poema inteiro serve como uma demonstração desse princípio literário.
Por que as outras alternativas estão incorretas?
- A: O texto não fala sobre "condições favoráveis". Pelo contrário, sugere que o poeta pode criar mesmo o "incabível", independentemente de circunstâncias externas.
- B: A expressão "tudonada" enfatiza a onipotência criativa do poeta, mas não implica necessariamente que a visão do leitor seja "excluída da sobrevivência textual". O foco é na autoridade do criador, não na exclusão total do receptor.
- C: Não há "desprezo pela precisão linguística". Há, sim, uma expansão do uso da linguagem. A poesia trabalha com polissemia, não com negligência técnica.
- E: O verso "Deixe a meta do poeta, não discuta" sugere, sim, uma postura de autoridade do poeta sobre sua própria obra, tornando a afirmação de que não é "revelador quanto à superioridade" imprecisa e menos relevante que a tese principal sobre a metáfora.
Conclusão
A questão aborda a natureza da linguagem poética no contexto da MPB e da literatura brasileira contemporânea. A alternativa D é a única que identifica corretamente a função da metáfora apresentada no texto: a capacidade de ressignificar objetos e conceitos comuns através da arte.