Literatura Múltipla Escolha

Quando o português chegou Debaixo duma bruta chuva Vestiu o índio Que pena! Fosse uma manhã de sol O índio tinha despido O português. Andrade, O. In: Faraço & Moura. Língua e Literatura. v.3 São Paulo: Ática, 1985. p. 146-147. A análise do poema do modernista Oswald Andrade apresenta

Quando o português chegou

Debaixo duma bruta chuva

Vestiu o índio

Que pena!

Fosse uma manhã de sol

O índio tinha despido

O português.

Andrade, O. In: Faraço & Moura. Língua e Literatura. v.3 São Paulo: Ática, 1985. p. 146-147.

A análise do poema do modernista Oswald Andrade apresenta

  1. uma crítica à versão eurocêntrica sobre a relação dominador-dominado no processo de colonização do Brasil.
  2. uma linguagem metafórica em que a “bruta chuva” representa os tiros de canhões e dos arcabuzes, armas responsáveis pela subjugação dos indígenas.
  3. o europeu como dominador ideológico e projeta o índio como um inocente, cuja religiosidade animista o relegou à condição de dominado.
  4. uma relação com acontecimento colonial brasileiro em que a cultura do branco se sobrepôs à cultura do indígena, devido inocência do índio que andava nu.
  5. fatores externos como chuva e sol como os responsáveis pelo delineamento das relações de poder no período colonial.

Resolução completa

Explicação passo a passo

A
Alternativa A

Alternativa A

O poema "Erro de Português" é uma obra seminal do Modernismo Brasileiro, escrita por Oswald de Andrade. Ele compõe a antologia Língua e Literatura e exemplifica o espírito crítico e irônico da Semana de Arte Moderna de 1922.

A questão pede a análise correta do texto apresentado na imagem. O poema faz uma revisão irônica da chegada dos portugueses ao Brasil, invertendo os papéis tradicionais de "civilizador" e "selvagem".

Análise Detalhada

Para entender a resposta correta, devemos examinar os versos e o contexto histórico-literário:

  • Inversão de Papéis: O poema sugere que, se as condições fossem diferentes ("Fosse uma manhã de sol"), o resultado seria o oposto: o índio teria "despido" o português.
  • Crítica à Civilização: Ao dizer "Que pena!", o autor lamenta a imposição da cultura europeia (roupas) sobre a liberdade indígena.
  • Desconstrução Eurocêntrica: A obra questiona a visão oficial de que a colonização foi um ato civilizatório benéfico, apontando para a violência simbólica dessa relação.

Vamos analisar as alternativas apresentadas na imagem (da primeira para a última):

OpçãoAnálise da Correção
1ª (Correta)Aponta a crítica à versão eurocêntrica. O poema questiona quem é o verdadeiro "dominador" e desmistifica a ideia de superioridade cultural branca.
2ª IncorretaEmbora haja ironia, não há metáfora explícita de "tiros de canhões" na chuva neste poema específico. O foco é na roupa e na nudez.
3ª IncorretaO poema não projeta o europeu como vencedor ideológico; ele mostra sua fragilidade (poderia ter sido despido).
4ª IncorretaSugere que a cultura branca se sobrepõe inevitavelmente. O poema justamente sugere que isso poderia ter sido diferente ("Fosse uma manhã de sol").
5ª IncorretaChuva e sol são elementos cenográficos, mas não determinam sozinhos as relações de poder históricas. O foco é a ação humana (vestir/despir).

Conclusão

A alternativa correta é a primeira, pois resume precisamente a intenção do autor: usar a ironia para subverter a narrativa histórica tradicional e expor o absurdo da dominação cultural imposta pelos colonizadores.

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