Literatura Múltipla Escolha

Vós, diz Cristo, Senhor nosso, falando com os pregadores, sois o sal da terra: e chama-lhes sal da terra, porque quer que façam na terra o que faz o sal. O efeito do sal é impedir a corrupção; mas quando a terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo tantos nela que têm ofício de sal, qual será, ou qual pode ser a causa desta corrupção? Ou é porque o sal não salga, ou porque a terra se não deixa salgar. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores não pregam a verdadeira doutrina; ou porque a terra se não deixa salgar e os ouvintes, sendo verdadeira a doutrina que lhes dão, a não querem receber. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores dizem uma coisa e fazem outra; ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes querem antes imitar o que eles fazem, que fazer o que dizem. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores se pregam a si e não a Cristo; ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes, em vez de servir a Cristo, servem a seus apetites. Não é tudo isto verdade? Ainda mal! No trecho, o autor constrói um texto à base de metáforas cujo objetivo é a reflexão de quem ouve a lê. O jogo de ideias, conhecido como Conceptismo — ou Conceptismo —, estabelece

Vós, diz Cristo, Senhor nosso, falando com os pregadores, sois o sal da terra: e chama-lhes sal da terra, porque quer que façam na terra o que faz o sal. O efeito do sal é impedir a corrupção; mas quando a terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo tantos nela que têm ofício de sal, qual será, ou qual pode ser a causa desta corrupção? Ou é porque o sal não salga, ou porque a terra se não deixa salgar. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores não pregam a verdadeira doutrina; ou porque a terra se não deixa salgar e os ouvintes, sendo verdadeira a doutrina que lhes dão, a não querem receber. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores dizem uma coisa e fazem outra; ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes querem antes imitar o que eles fazem, que fazer o que dizem. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores se pregam a si e não a Cristo; ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes, em vez de servir a Cristo, servem a seus apetites. Não é tudo isto verdade? Ainda mal!

No trecho, o autor constrói um texto à base de metáforas cujo objetivo é a reflexão de quem ouve a lê. O jogo de ideias, conhecido como Conceptismo — ou Conceptismo —, estabelece

  1. que a função do sal é preservar a carne da deterioração. Argumenta, dessa forma, que os pregadores cumprem essa função, mesmo em situações adversas.
  2. um jogo de palavras entre as palavras “sal” e “salgar” como elementos ligados aos ouvintes fiéis, que devem ser o sal da terra.
  3. um questionamento sobre a solidez da ligação dos homens, pregadores ou não, com os mandamentos de Cristo.
  4. uma crítica aos padres e aos ouvintes, que deveriam impedir a corrupção da sociedade.
  5. uma crítica à corrupção da sociedade, sugerindo que os pregadores, como o sal, deveriam impedir a corrupção, mas falham nessa proposta.

Resolução completa

Explicação passo a passo

E
Alternativa E

Alternativa E

Análise da Questão

A questão aborda um trecho do "Sermão de Santo Antônio" do padre António Vieira, uma obra-prima da literatura brasileira do período Barroco. Para responder corretamente, é necessário compreender os conceitos literários e a estrutura argumentativa do texto.

1. Contexto Literário: Conceptismo

O texto menciona o Conceptismo (ou Culturanismo), estilo barroco caracterizado pelo uso de:

  • Jogos de ideias: Conexões lógicas complexas entre conceitos.
  • Metáforas: Comparações que sustentam todo o raciocínio.
  • Ironia e Crítica: Uso da linguagem para expor contradições sociais ou morais.

2. A Metáfora Central: Sal vs. Pregadores

No trecho, Vieira estabelece uma analogia direta baseada na Bíblia ("Vós sois o sal da terra"):

  • O Sal: Representa os pregadores. Sua função natural é preservar (impedir a corrupção).
  • A Terra: Representa a sociedade ou os ouvintes. Seu estado atual é de corrupção.

3. A Lógica do Texto

O autor constrói um argumento lógico baseado na falha dessa metáfora na realidade:

  • Premissa: O sal deve impedir a deterioração. Os pregadores são o sal. Logo, eles devem impedir a corrupção moral.
  • Realidade: A terra está corrupta.
  • Causa: O sal não salga (os pregadores não pregam a verdadeira doutrina) OU a terra não deixa salgar (os ouvintes preferem ouvir o que desejam).
  • Conclusão: Há uma falha na missão dos pregadores. Eles deveriam salvar a sociedade, mas estão contribuindo para sua perdição ao servirem a seus próprios apetites.

4. Por que a Alternativa E é a correta?

A alternativa E é a única que captura perfeitamente a relação entre a metáfora e a crítica social:

  • Ela identifica o alvo: crítica à corrupção da sociedade.
  • Ela explica o papel do agente: pregadores, como o sal.
  • Ela aponta o conflito central: deveriam impedir a corrupção, mas falham.

As outras alternativas estão incorretas ou incompletas:

  • A: Diz que os pregadores cumprem a função. O texto afirma exatamente o oposto ("o sal não salga").
  • B: Foca apenas no jogo de palavras, ignorando a crítica social profunda.
  • C: É muito genérica ("solidez da ligação").
  • D: Embora seja uma crítica válida, não explicita o vínculo com a metáfora do sal, que é o ponto central da pergunta ("texto a base de metáforas").

Conclusão

A construção conceptual de Vieira utiliza a imagem do sal para evidenciar a incompetência moral da igreja da época. A alternativa E resume essa ideia ao destacar a expectativa (salvar) versus a realidade (falhar).

Tem outra questão para resolver?

Resolver agora com IA

Mais questões de Literatura

Ver mais Literatura resolvidas

Tem outra questão de Literatura?

Cole o enunciado, tire uma foto ou descreva o problema — a IA resolve com explicação completa em segundos.