Psicologia Múltipla Escolha

Ao estudar a sexualidade infantil, Freud propôs uma distinção essencial para o entendimento da constituição do sujeito psíquico. Essa distinção se refere a qual aspecto da sexualidade?

Ao estudar a sexualidade infantil, Freud propôs uma distinção essencial para o entendimento da constituição do sujeito psíquico. Essa distinção se refere a qual aspecto da sexualidade?

  1. A presença de comportamentos conscientes e inconscientes na formação do caráter infantil.
  2. A oposição entre sexualidade cultural e sexualidade biológica na estrutura familiar.
  3. A diferenciação entre sexualidade voltada à reprodução e sexualidade com fins de prazer.
  4. A dissociação entre pulsões parciais e comportamentos genitais apenas na adolescência.
  5. A existência de uma sexualidade restrita ao universo simbólico, sem implicações afetivas.

Resolução completa

Explicação passo a passo

C
Alternativa C

Alternativa C - A diferenciação entre sexualidade voltada à reprodução e sexualidade com fins de prazer

Introdução

Esta questão aborda um dos pilares fundamentais da Psicanálise de Sigmund Freud: a concepção de sexualidade infantil. Para compreender a resposta, é necessário entender como Freud rompeu com a visão tradicional da época sobre a infância.

Desenvolvimento

Na visão pré-freudiana (e ainda comum no senso comum), a criança era considerada um ser assexual, onde a sexualidade só surgiria na puberdade. Freud inverteu essa lógica e demonstrou que a sexualidade é desde o nascimento.

No entanto, a sexualidade da criança difere radicalmente da sexualidade adulta madura. Enquanto a sexualidade adulta (genital) tende a estar estruturada em torno da função reprodutiva e da união dos sexos, a sexualidade infantil possui características próprias:

  • Foco no Prazer: Ela é regida pelo Princípio do Prazer, buscando satisfação imediata nas zonas erógenas (boca, ânus, pele).
  • Polimorfismo Perverso: A criança explora diversos objetos e partes do corpo, sem uma organização unificada voltada apenas para a procriação.
  • Independência da Reprodução: A atividade sexual infantil é plenamente válida e constitutiva do sujeito, mesmo sem qualquer intenção de gerar descendentes.

Portanto, a distinção essencial proposta por Freud é separar a sexualidade de seu objetivo biológico (reprodução) de seu objetivo psíquico (prazer).

Análise das Alternativas

  • (A) Incorreta. Embora a divisão entre consciente e inconsciente seja central na psicanálise, ela se refere à topografia da mente, não especificamente à natureza da sexualidade infantil.
  • (B) Incorreta. Freud discute a tensão entre instinto e cultura, mas essa não é a definição primária da sexualidade infantil.
  • (C) Correta. Esta alternativa acerta o ponto crucial: a sexualidade infantil não visa a reprodução, mas sim a busca de prazer e satisfação pulsional.
  • (D) Incorreta. As pulsões parciais existem durante toda a infância e se integram ao genital na maturação, não sendo dissociadas "apenas na adolescência".
  • (E) Incorreta. A sexualidade freudiana tem fortes implicações afetivas e corporais, não sendo restrita apenas ao simbólico.

Conclusão

Freud estabeleceu que a criança é um sujeito sexuado cuja sexualidade é autônoma em relação à função reprodutiva. A alternativa C resume corretamente essa distinção teórica fundamental.

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