Alternativa B - Psicologia crítica, com foco em práticas discursivas e construção social da subjetividade.
Introdução ao Problema
A questão descreve uma intervenção psicológica focada na compreensão dos significados construídos pelos sujeitos em seu cotidiano. Os pontos centrais do texto são a valorização das narrativas, dos saberes locais e a premissa de que o sujeito é formado pela linguagem, práticas sociais e cultura.
Desenvolvimento Teórico
Para identificar a abordagem correta, precisamos analisar as características fundamentais de cada vertente apresentada nas alternativas frente ao cenário descrito:
- Construção Social da Subjetividade: O texto afirma explicitamente que o sujeito é "construído". Isso indica uma visão onde a identidade não é inata ou biológica, mas sim formada pelas interações sociais e culturais.
- Importância da Linguagem e Narrativa: A ênfase em "escutar narrativas" sugere que a fala e o discurso são ferramentas primárias para entender a experiência humana, não apenas comportamentos observáveis.
- Contexto Sociocultural: A menção a "práticas sociais e cultura" e "bairro periférico" aponta para uma análise contextualizada historicamente, fugindo de modelos universalistas ou puramente individuais.
Essas características são a base da Psicologia Crítica (ou Psicologia Social Crítica), que busca desconstruir verdades absolutas e valorizar a voz dos grupos marginalizados.
Análise das Alternativas
Abaixo, apresentamos uma comparação entre as opções para fundamentar a escolha:
| Abordagem | Foco Principal | Adequação ao Enunciado |
|---|
| (A) Experimental | Controle de variáveis, hipóteses testáveis, laboratório. | Baixa. Ignora o contexto natural e a subjetividade complexa. |
| (B) Crítica | Práticas discursivas, construção social, poder, cultura. | Alta. Alinha-se perfeitamente com a ideia de sujeito construído pela linguagem e cultura. |
| (C) Behaviorista | Condicionamento, estímulo-resposta, comportamento observável. | Baixa. Desconsidera os significados internos e narrativos. |
| (D) Cognitiva | Esquemas mentais, processamento de informação, memória. | Média/Baixa. Foca mais em processos internos do que na construção social histórica. |
| (E) Psicanalítica | Inconsciente, desejo, fantasia, conflito interno. | Média. Embora valorize a fala, o foco em "saberes locais" e "práticas sociais" é mais crítico/sociológico. |
Por que a Psicologia Crítica?
A Psicologia Crítica surge como uma resposta às limitações das visões tradicionais (como a behaviorista ou a cognitiva clássica) que tratam o sujeito de forma isolada. Ela entende que:
- A mente é situada: Nossa forma de pensar depende do contexto social e histórico.
- A linguagem é constitutiva: Não apenas descrevemos a realidade, nós a construímos através dela.
- Política e Ética: Há um compromisso ético com a transformação social, valorizando os saberes dos oprimidos (no caso, moradores de bairro periférico).
Portanto, a descrição de uma equipe que busca compreender significados construídos através da cultura e da linguagem é a definição clássica dessa abordagem.
Alternativa B.