Alternativa D
Análise da Questão
Esta questão aborda uma distinção teórica importante feita por Christian Dunker (referência em psicanálise e crítica social) entre o liberalismo clássico e o neoliberalismo, especificamente sobre como cada sistema lida com o sofrimento humano.
Desenvolvimento
Para compreender a resposta, é necessário entender a evolução dessas lógicas sociais:
- Liberalismo Clássico:
- Focado na liberdade individual, propriedade privada e Estado mínimo.
- O sofrimento era frequentemente visto como uma condição humana natural ou, quando excessivo, como um empecilho à vida plena ou ao trabalho racional. Havia uma distinção mais clara entre a esfera pública (política/economia) e a privada (intimidade/sofrimento).
- Neoliberalismo:
- Expandiu a lógica de mercado para todas as esferas da vida.
- Transforma o sujeito em um "empreendedor de si mesmo".
- Segundo a crítica contemporânea (incluindo a perspectiva de Dunker), o sofrimento não é mais apenas um obstáculo, mas é instrumentalizado. O indivíduo é incentivado a transformar suas angústias, falhas e limitações em combustível para produtividade e desempenho.
Por que a Alternativa D está correta?
A alternativa D sintetiza corretamente essa mudança de paradigma:
- "O neoliberalismo se vale do sofrimento humano para convertê-lo em produtividade": Reflete a ideia de que o sofrimento é gerido para manter o sujeito trabalhando e performando (resiliência, superação).
- "Diferente do liberalismo clássico que o via como empecilho": No modelo anterior, o objetivo era garantir condições para a liberdade, não necessariamente usar o desconforto como motor econômico direto.
As outras alternativas apresentam visões incorretas:
- A e E: Incorretas por sugerirem que o neoliberalismo elimina o sofrimento ou não o produz. Na verdade, a crítica aponta que ele o intensifica ou o transforma qualitativamente.
- B e C: Incorretas por negarem a influência ativa do neoliberalismo na estruturação do sofrimento ou por sugerirem uma simples "cura" sem explicar a lógica de funcionamento.
Conclusão
A tese defendida na alternativa D alinha-se com a crítica psicanalítica e sociológica contemporânea de que o neoliberalismo capitaliza o sofrimento subjetivo, exigindo que o indivíduo supere suas dificuldades através do trabalho e do desempenho, ao contrário da visão clássica que tratava o sofrimento como algo a ser minimizado ou gerido externamente.