Alternativa C - A aquisição da L1 acontece naturalmente para a criança surda quando ela passa a ter contato com mais crianças surdas e com professores surdos ou bilíngues, que é quando ela começa a ampliar seu vocabulário, de acordo com as suas vivências e experiências visuais.
Fundamentação Teórica
O enunciado propõe uma analogia entre a aquisição da linguagem oral (para ouvintes) e a aquisição da Língua Brasileira de Sinais (Libras) para surdos. Assim como crianças ouvintes aprendem a falar expondo-se à língua falada ao seu redor, crianças surdas precisam de um input linguístico visual adequado para adquirir sua primeira língua (L1).
Para a criança surda, o processo natural de aquisição ocorre através da imersão na comunidade surda e do contato constante com a língua de sinais, permitindo a construção de vocabulário e estruturas gramaticais baseadas na percepção visual.
Análise das Alternativas
- Alternativa A (Incorreta): É cientificamente comprovado que crianças surdas adquirem linguagem. O problema geralmente não é a capacidade, mas o acesso à língua (geralmente Libras) em ambiente familiar ou educacional adequado.
- Alternativa B (Incorreta): Embora pais surdos facilitem muito o processo, a aquisição da Libras não é exclusiva desse cenário. Filhos de pais ouvintes podem aprender Libras em escolas especializadas, centros de convivência ou através de familiares surdos.
- Alternativa C (Correta): Esta opção descreve corretamente o mecanismo de aquisição natural. A criança precisa de modelos linguísticos (professores, pares surdos) e de um ambiente rico em interações visuais para desenvolver plenamente sua competência em Libras.
- Alternativa D (Incorreta): O ensino regular (inclusão) nem sempre garante a aquisição da L1. Muitas vezes, a falta de professores qualificados ou a barreira comunicativa impede o aprendizado. A aquisição pode ocorrer em diversos espaços, não apenas na escola inclusiva.
- Alternativa E (Incorreta): A aquisição da L1 (primeira língua) deve ocorrer antes ou simultaneamente à segunda língua (L2). Na maioria dos casos, a Libras é considerada a L1 da criança surda, enquanto o Português (oral ou escrito) é a L2. Exigir o português antes da Libras inverte a ordem natural de aprendizado.
Conclusão
A alternativa C é a única que respeita a natureza visual e espacial da Libras como língua natural, reconhecendo a importância do contato social e da exposição contínua à língua para o desenvolvimento cognitivo e linguístico da criança surda.