Alternativa C - Infusão de acetilcisteína endovenosa.
Este caso clínico descreve uma intoxicação aguda por paracetamol em uma criança. A conduta deve basear-se no cálculo da dose ingerida e no tempo transcorrido desde a ingestão.
Cálculo da Dose Ingerida
Para determinar o risco de toxicidade, precisamos calcular a dose por quilograma de peso corporal:
\text{Dose Total} = 4 \text{ comprimidos} \times 750 \text{ mg} = 3000 \text{ mg}
\text{Dose por Kg} = \frac{3000 \text{ mg}}{15 \text{ kg}} = 200 \text{ mg/kg}
Critérios de Toxicidade e Tratamento
O limiar de toxicidade para paracetamol em ingestão única é geralmente considerado acima de $150 \text{ mg/kg}$. Neste caso, a criança ingeriu $200 \text{ mg/kg}$, configurando uma sobredose tóxica significativa.
O tratamento padrão inclui:
- Descontaminação: Geralmente indicada apenas nas primeiras horas (até 1 hora para lavagem gástrica, até 2 horas para carvão ativado). Como já se passaram 4 horas, estas medidas não são prioritárias ou eficazes.
- Antídoto: A acetilcisteína é o antídoto específico. Deve ser iniciada preferencialmente até 8 horas após a ingestão para prevenir hepatotoxicidade.
- Monitorização: Pacientes assintomáticos ainda correm risco de lesão hepática tardia, exigindo internação e administração do antídoto.
Análise das Alternativas
- Realizar apenas lavagem gástrica: Incorreto. A lavagem gástrica é pouco utilizada hoje em dia e tem janela de eficácia curta (primeira hora). Em 4 horas, o medicamento já foi absorvido.
- Administrar lavagem gástrica seguida de carvão ativado: Incorreto. O carvão ativado é útil até 1-2 horas pós-ingestão. Após 4 horas, sua indicação é limitada, e não substitui o antídoto necessário.
- Infusão de acetilcisteína endovenosa: Correto. É a medida mais importante. Com a dose calculada ($200 \text{ mg/kg}$) e o tempo dentro da janela terapêutica (< 8 horas), o uso do antídoto previne falência hepática.
- Alta hospitalar com observação domiciliar: Incorreto. É extremamente perigoso liberar o paciente sem tratamento devido ao alto risco de necrose hepática fulminante.
Conclusão
A prioridade clínica é iniciar o protocolo de antídoto imediatamente. Portanto, a conduta mais apropriada é a administração de acetilcisteína.