Alternativa B - Persecução da verdade como forma de agir corretamente.
Introdução
A questão aborda o pensamento ético de Sócrates, transmitido através do relato de Xenofonte no texto Memorabilia. O trecho destacado enfatiza a relação direta entre conhecimento, sabedoria e virtude.
Para compreender a resposta correta, precisamos analisar a premissa fundamental da filosofia socrática apresentada no fragmento.
Desenvolvimento
O texto afirma explicitamente que:
"E se nada se faz justo, belo e bom que não pela virtude, claro é que na sabedoria se resumem a justiça e todas as mais virtudes."
Isso nos permite identificar dois pontos cruciais para a resolução:
- Virtude como Conhecimento: Os sábios praticam atos belos e bons porque os conhecem. Aqueles que não conhecem a virtude cometem erros e faltas.
- Ação Correta: Agir corretamente depende do saber. Não há separação entre o que se sabe ser bom e o que se faz; o erro é fruto da ignorância.
Portanto, a vida virtuosa está intrinsecamente ligada à busca pelo verdadeiro conhecimento (verdade) para guiar a conduta humana.
Análise das Alternativas
Vamos examinar cada opção com base no contexto filosófico:
- Satisfação dos desejos: Relaciona-se mais ao hedonismo ou epicurismo, não ao intelectualismo socrático focado na razão.
- Persecução da verdade como forma de agir corretamente: Correta. Alinha-se perfeitamente com o conceito de que a virtude é ciência/conhecimento (Episteme). Saber o que é o Bem leva necessariamente a praticar o Bem.
- Moderação dos prazeres: Embora Sócrates valorize o autocontrole, o foco do texto é a sabedoria (intelecto), não apenas a gestão emocional ou prazerosa.
- Contemplação da physis: Refere-se aos filósofos pré-socráticos (como Tales e Heráclito), que estudavam a natureza (physis). Sócrates voltaria a filosofia para o homem (ética).
- Aceitação do sofrimento: Conceito mais associado ao estoicismo tardio ou a visões religiosas/místicas, não sendo o cerne do argumento socrático apresentado aqui.
Conclusão
O texto defende o Intelectualismo Moral: ninguém faz o mal voluntariamente, mas sim por ignorância. Logo, conhecer a verdade é o caminho para a virtude e a ação justa.
A alternativa B é a única que reflete essa conexão direta entre conhecimento (verdade) e conduta ética.