Alternativa B
Resumo da Resposta:
A alternativa correta é a B, pois reflete o princípio epicurista da autossuficiência (autarkeia), onde a verdadeira liberdade e sabedoria consistem em depender minimamente dos bens externos para ser feliz. As demais alternativas apresentam equívocos sobre as concepções de Aristóteles, Estóicos e Epicuro quanto à riqueza.
Análise Detalhada
Vamos examinar cada uma das opções com base nas filosofias antigas citadas:
1. Por que a Alternativa B está Correta?
- Filosofia: Epicurismo.
- Conceito Chave: Autossuficiência (Autarkeia) e Limitação dos Desejos.
- Explicação: Para Epicuro, o objetivo da vida é a ausência de dor e perturbação da alma (ataraxia). Ele ensina que os desejos devem ser divididos em naturais/necessários (fome, sede, abrigo básico) e naturais/não necessários (luxo, riqueza excessiva).
- Lógica: Quem depende pouco das coisas tem menos medo de perdê-las e, portanto, desfruta delas com maior liberdade. A frase "a abundância é mais sabiamente apreciada por aqueles que menos dependem dela" resume essa ideia de que a felicidade não reside na posse, mas na independência mental em relação à posse.
2. Por que as outras estão Incorretas?
- Alternativa A (Aristóteles):
- Erro: Aristóteles distingue entre aquisição natural (oikonomia) e acumulação ilimitada de dinheiro (chrematistike).
- Detalhe: Ele considera o comércio e a usura como atividades artificiais e muitas vezes contrárias à natureza, pois buscam o lucro infinito, enquanto a riqueza natural deve ter um limite definido pelo bem viver (eudaimonia).
- Alternativa C (Sêneca/Estoicismo):
- Erro: Os estoicos classificam a riqueza como um "indiferente preferido", mas não como necessário para a felicidade.
- Detalhe: Para Sêneca e os estóicos, a única coisa necessária e boa é a virtude. A riqueza é externa e não garante a felicidade nem é essencial para alcançá-la; ela pode ser usada ou deixada sem afetar a integridade moral do sábio.
- Alternativa D (Epicuro):
- Erro: Epicuro não associa riquezas aos desejos "naturais e necessários".
- Detalhe: Riqueza excessiva geralmente cai na categoria de "desejos naturais, mas não necessários" ou "nem naturais nem necessários". Apenas o básico para a sobrevivência e amizade são estritamente naturais e necessários.
- Alternativa E (Aristóteles):
- Erro: Na ética aristotélica, a avareza é um vício (excesso), não o meio-termo.
- Tabela Comparativa (Ética de Aristóteles sobre Dinheiro):
| Vício (Excesso) | Meio-Termo (Virtude) | Vício (Deficiência) |
|---|
| Prodigalidade / Avareza | Liberdade / Generosidade | Mesquinhez / Miséria |
- Detalhe: O comportamento virtuoso em relação ao dinheiro é a generosidade (dar e receber na medida certa), não a avareza.
Conclusão
A questão testa o conhecimento sobre como os antigos filósofos viam a relação entre felicidade e bens materiais. Enquanto Aristóteles via a riqueza como um meio limitado e os Estoicos como indiferentes, Epicuro focava na redução da dependência material. Portanto, a afirmação de que a abundância é melhor aproveitada por quem nela menos depende é a síntese correta do pensamento epicurista apresentado na opção B.