Alternativa D - defender a indiferença e a impossibilidade de obter alguma certeza
O texto apresentado refere-se a Pirro de Elis, fundador do Ceticismo Pirrônico na Grécia Antiga. O trecho descreve os pilares fundamentais dessa filosofia, que nega a possibilidade de conhecimento absoluto sobre a natureza das coisas.
A frase "nada existe do ponto de vista da verdade" indica a recusa em aceitar dogmas ou verdades absolutas. Isso leva à suspensão do juízo (epoché), pois o cético considera que todas as opiniões são igualmente válidas ou inválidas. Consequentemente, busca-se a tranquilidade da alma (atrapaxia) através da indiferença perante os eventos externos.
Análise Detalhada
Para compreender a resposta correta, devemos analisar os pontos-chave do enunciado e confrontá-los com as alternativas:
- Indiferença Moral e Prática: O texto diz que "nada é nem bom nem vergonhoso, justo ou injusto". Isso significa que o cético não julga as ações como moralmente superiores ou inferiores, agindo apenas conforme a lei e o costume local para viver em harmonia.
- Incerteza Epistemológica: Ao afirmar que "nada existe do ponto de vista da verdade", o texto reforça a ideia de que não podemos ter certeza sobre a realidade objetiva.
- Rejeição do Dogmatismo: A postura de "nada procurando evitar" demonstra uma aceitação passiva do mundo, evitando sofrimento decorrente de desejos ou temores baseados em supostos conhecimentos falsos.
Por que as outras alternativas estão incorretas?
| Alternativa | Por que está errada? |
|---|
| A | O texto diz que os homens agem "segundo a lei e o costume", contradizendo a ideia de desprezar convenções sociais. |
| B | O texto nega categorias de "bom" ou "vergonhoso", então não visa enaltecer a virtude em sentido tradicional. |
| C | Buscar o "prazer" como fim da vida é característica do Epicurismo, não do Ceticismo. |
| E | Não há menção a determinismo ou esperança transcendente; o foco é o aqui e agora, sem dogmas religiosos ou metafísicos. |
Conclusão
A essência do ceticismo pirrônico descrito no texto reside na negação da capacidade humana de alcançar a verdade absoluta, levando a uma atitude de indiferença diante do mundo. Portanto, a alternativa que melhor resume essa visão é a que defende a impossibilidade de obter certeza e a indiferença.