Geral Múltipla Escolha

Mulher de 30 anos, G2P1 (uma cesárea anterior), em acompanhamento de pré-natal de rotina na Unidade Básica de Saúde, comparece à consulta de 24 semanas trazendo o resultado da ultrassonografia morfológica com Doppler colorido. O exame evidencia vasos fetais cruzando o orifício interno do colo uterino, sem interposição de geleia de Wharton, associados à inserção velamentosa do cordão umbilical. A gestante está assintomática, sem sangramento, com pressão arterial e batimentos cardíacos fetais normais. Diante desse achado, a conduta adequada é:

Mulher de 30 anos, G2P1 (uma cesárea anterior), em acompanhamento de pré-natal de rotina na Unidade Básica de Saúde, comparece à consulta de 24 semanas trazendo o resultado da ultrassonografia morfológica com Doppler colorido. O exame evidencia vasos fetais cruzando o orifício interno do colo uterino, sem interposição de geleia de Wharton, associados à inserção velamentosa do cordão umbilical. A gestante está assintomática, sem sangramento, com pressão arterial e batimentos cardíacos fetais normais. Diante desse achado, a conduta adequada é:

  1. encaminhar ao pré-natal de alto risco para programar cesárea eletiva entre 34 e 37 semanas, antes do início do trabalho de parto, com corticoterapia para maturação pulmonar.
  2. manter o pré-natal de baixo risco na unidade e planejar parto vaginal à termo, reservando a cesárea para a eventualidade de sangramento.
  3. indicar interrupção da gestação por cesárea ainda nesta semana, em razão do elevado risco de hemorragia materna por rotura dos vasos.
  4. solicitar dosagens seriadas de beta-hCG e alfa-fetoproteína para estratificar o risco de rotura vascular antes de definir a via de parto.

Resolução completa

Explicação passo a passo

A
Alternativa A

Alternativa A - Encaminhar ao pré-natal de alto risco para programar cesárea eletiva entre 34 e 37 semanas, antes do início do trabalho de parto, com corticoterapia para maturação pulmonar.

Diagnóstico: Vasa Prévia

O caso clínico descreve um quadro clássico de Vasa Prévia. Isso é confirmado pelos seguintes achados ultrassonográficos citados no enunciado:

  • Vasos fetais cruzando o orifício interno do colo uterino: Os vasos sanguíneos do cordão umbilical passam sobre o caminho natural do bebê para sair pelo canal vaginal.
  • Sem proteção de Wharton: Não há a substância gelatinosa que protege o cordão, tornando os vasos frágeis.
  • Inserção velamentosa: O cordão se insere na membrana fetal em vez da placenta, obrigando os vasos a viajarem até a placenta através das membranas.

Por que essa conduta?

A presença de vasos fetais sobre o colo uterino cria um risco extremo de hemorragia fetal catastrófica. Se as membranas se romperem espontaneamente ou durante o trabalho de parto, esses vasos rompem-se primeiro, levando à perda rápida de sangue do feto e alta mortalidade.

A conduta padrão-ouro envolve:

  1. Encaminhamento ao Alto Risco: Requer monitoramento especializado e hospitalização frequente (geralmente a partir de 28-30 semanas) para evitar trabalho de parto precoce.
  2. Cesárea Eletiva: O parto vaginal é contraindicado porque a dilatação do colo rompe as membranas, expondo os vasos. A cesárea evita esse trauma.
  3. Timing (34-37 semanas): O objetivo é entregar o bebê antes que ocorra ruptura espontânea das membranas ou início do trabalho de parto, mas mantendo o feto o mais próximo possível do termo para reduzir complicações prematuras.
  4. Corticoterapia: Como o parto será pré-termo (antes de 39 semanas), usa-se corticoides para acelerar a maturação pulmonar fetal.

Análise das Alternativas Incorretas

AlternativaErro PrincipalExplicação
BParto VaginalO parto vaginal coloca os vasos em risco de ruptura imediata. Além disso, requer acompanhamento de alto risco, não baixo risco.
CInterrupção PrematuraInterromper aos 24 semanas é extremamente prematuro. O risco de morte neonatal por imaturidade seria muito alto comparado ao risco de esperar até 34 semanas.
DMarcadores Tumorais/CromossômicosBeta-hCG e Alfa-fetoproteína são marcadores para síndromes cromossômicas (como Down), não têm utilidade no manejo de vasa prévia.

Conclusão

A conduta adequada é referenciar para alto risco, administrar corticoides para maturação pulmonar e realizar cesárea programada entre 34 e 37 semanas, evitando o trabalho de parto espontâneo.

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