História Geral Múltipla Escolha

“O Mediterrâneo é um lago de civilização; não é segredo para ninguém que ao norte de suas costas está o velho universo e ao sul deste um mundo ignorado; pode-se dizer de um lado a civilização, do outro a barbárie. (...) Deus oferece a África à Europa. Peguem-na, não pelos canhões, mas pela charrua; não pela espada, mas pelo comércio; não pela batalha, mas pela fraternidade…” Discurso de Victor Ricardo em 18 de maio de 1879. Fonte: NETO, José Alves de Freitas e TASINAFO, Célio. História Geral e do Brasil. São Paulo: Harbra, 2007. O texto faz referência ao mar Mediterrâneo, que banha ao norte a Europa e ao sul a África. Sobre a opinião do autor, é correto afirmar que

“O Mediterrâneo é um lago de civilização; não é segredo para ninguém que ao norte de suas costas está o velho universo e ao sul deste um mundo ignorado; pode-se dizer de um lado a civilização, do outro a barbárie. (...) Deus oferece a África à Europa. Peguem-na, não pelos canhões, mas pela charrua; não pela espada, mas pelo comércio; não pela batalha, mas pela fraternidade…”

Discurso de Victor Ricardo em 18 de maio de 1879. Fonte: NETO, José Alves de Freitas e TASINAFO, Célio. História Geral e do Brasil. São Paulo: Harbra, 2007.

O texto faz referência ao mar Mediterrâneo, que banha ao norte a Europa e ao sul a África. Sobre a opinião do autor, é correto afirmar que

  1. defende que os europeus devem avançar no continente africano através da guerra e da conquista para, em seguida, contribuir com o desenvolvimento socioeconômico do continente.
  2. o autor iguala a cultura e a civilização dos africanos e dos europeus, creditando ao mar Mediterrâneo essa experiência de circulação de culturas e de ideias.
  3. convoca os europeus para uma tarefa importante na história, na qual eles devem ir até a África para atender à solicitação dos locais e compartilhar a cultura e religião europeias.
  4. torna explícita a ideia de que, independentemente da região geográfica em que vivam, todos os povos tem o direito de ter sua cultura respeitada e preservada.
  5. sua visão sobre barbárie e civilização apresenta uma opinião eurocêntrica e racista, pois considera “bárbaras” as culturas africanas a partir de preconceitos existentes entre a elite europeia da época.

Resolução completa

Explicação passo a passo

E
Alternativa E

Alternativa E

O texto apresentado é um exemplo clássico da mentalidade imperialista do século XIX, especificamente durante a fase do Neocolonialismo ou "Corrida para a África".

O autor estabelece uma dicotomia clara entre dois mundos:

  • Norte (Europa): Definido como "civilização" e "velho universo".
  • Sul (África): Definido como "universo ignorado" e "barbárie".

Essa classificação hierárquica coloca a cultura europeira no topo da escala humana, enquanto desumaniza ou inferioriza as populações africanas.

Análise Detalhada

Para entender por que a Alternativa E é a correta, precisamos examinar os conceitos chave presentes na questão:

  • Eurocentrismo: É a visão de mundo onde a Europa é colocada como o centro cultural, político e moral da humanidade. O texto exemplifica isso ao atribuir a missão civilizatória exclusivamente aos europeus.
  • Civilização vs. Barbárie: Essa oposição binária foi usada para justificar a intervenção colonial. Ao chamar a África de "barbara", o autor sugere que ela precisa ser "salva" ou "civilizada" por alguém superior (a Europa).
  • Paternalismo Colonial: Embora o texto diga "não pelos canhões... mas pela charrua", ele ainda defende a apropriação da terra ("Deus oferece a África à Europa"). Isso não significa igualdade, mas sim uma tutela onde a Europa decide o destino da África.

Por que as outras alternativas estão incorretas?

  • (A) O texto diz explicitamente: "não pelos canhões... nem pela batalha". Portanto, ele não defende a guerra direta neste trecho, embora o objetivo final seja a dominação/economia.
  • (B) O autor não iguala as culturas; ele as opõe (uma é civilizada, a outra é bárbara).
  • (C) Não há menção a uma "solicitação dos locais". A frase "Deus oferece a África à Europa" indica uma vontade divina/imperial, não um pedido africano.
  • (D) A ideia de preservar culturas independentemente da região não condiz com o texto, que propõe uma interferência ativa ("Peguem-na") baseada na superioridade europeia.

Conclusão

A alternativa E é a única que identifica corretamente a ideologia subjacente ao discurso. Apesar da linguagem parecer pacífica ("fraternidade"), a base do pensamento é a crença na superioridade europeia e na inferioridade africana, características típicas do racismo científico e do eurocentrismo vigentes na elite intelectual da época.

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