Medicina Múltipla Escolha

Você atende uma paciente de 41 anos, que fez tratamento com quimioterapia para câncer de mama há 2 anos, foi tratada também com setorectomia da mama esquerda, radioterapia e atualmente está em uso de Tamoxifeno. Ela relata que há 7 meses iniciou com dificuldade sexual para ter relação sexual, e que esta situação está gerando sofrimento especialmente no relacionamento dela com a parceria. Na anamnese dirigida, você identifica dificuldade de lubrificação vaginal, dispareunia e diminuição do desejo sexual. Não tem alergias, outras doenças e não usa outras medicações. No exame do órgão genital externo, não há alterações. No exame especular, ela possui colo uterino epitelizado, atrofia de mucosa vaginal e conteúdo vaginal de aspecto fisiológico e escasso; no Toque vaginal bimanual, você não identifica nada digno de nota. Para o caso desta paciente, qual alternativa abaixo contém o tratamento mais adequado?

Você atende uma paciente de 41 anos, que fez tratamento com quimioterapia para câncer de mama há 2 anos, foi tratada também com setorectomia da mama esquerda, radioterapia e atualmente está em uso de Tamoxifeno. Ela relata que há 7 meses iniciou com dificuldade sexual para ter relação sexual, e que esta situação está gerando sofrimento especialmente no relacionamento dela com a parceria. Na anamnese dirigida, você identifica dificuldade de lubrificação vaginal, dispareunia e diminuição do desejo sexual. Não tem alergias, outras doenças e não usa outras medicações. No exame do órgão genital externo, não há alterações. No exame especular, ela possui colo uterino epitelizado, atrofia de mucosa vaginal e conteúdo vaginal de aspecto fisiológico e escasso; no Toque vaginal bimanual, você não identifica nada digno de nota. Para o caso desta paciente, qual alternativa abaixo contém o tratamento mais adequado?

  1. Terapia hormonal com estrogênio e progesterona.
  2. Terapia hormonal vaginal com estriol.
  3. Uso de hidratantes vaginais a base de ácido hialurônico ou ácido poliacrílico.
  4. Orientações na consulta e nenhuma outra medida.
  5. Testosterona em gel.

Resolução completa

Explicação passo a passo

B
Alternativa B

Alternativa B - Terapia hormonal vaginal com estriol

Diagnóstico Clínico

A paciente apresenta quadro clássico de Síndrome Geniturinária da Menopausa (SGM), especificamente atrofia vaginal, agravado pelo uso de Tamoxifeno.

  • Histórico: Câncer de mama tratado há 2 anos.
  • Fator Precipitante: Uso de Tamoxifeno (Modulador Seletivo dos Receptores de Estrogênio - SERM). Embora proteja a mama, ele tem efeito anti-estrogênico local na vagina, causando atrofia.
  • Sintomas: Secura vaginal, dispareunia (dor ao relação) e diminuição do desejo.
  • Exame Físico: Confirmação de mucosa vaginal atrófica e colapso tecidual.

Justificativa Didática

Por que a Alternativa B (Terapia Hormonal Local)?

Embora a segurança seja prioridade máxima em casos de câncer de mama, a presença de atrofia comprovada e dispareunia severa exige um tratamento que vá além da hidratação superficial.

  1. Reversão da Atrofia: Os hidratantes (Alternativa C) melhoram a lubrificação temporariamente, mas não regeneram o tecido vaginal fino e frágil. O estriol local estimula a proliferação das células epiteliais vaginais, restaurando a espessura e elasticidade da mucosa.
  2. Segurança Relativa: O estriol é um estrogênio fraco e de baixa potência sistêmica. Quando usado via vaginal em baixas doses, sua absorção sanguínea é mínima, reduzindo drasticamente o risco de estimular metástases ou recidivas comparado à terapia sistêmica.
  3. Indicação Específica: Em pacientes com SGM severa onde a qualidade de vida está comprometida (relacionamento afetado), a terapia hormonal local é considerada uma opção viável sob supervisão médica rigorosa.

Por que não as outras alternativas?

  • A (Terapia Sistêmica): Contraindicada. O uso de estrogênio e progesterona sistêmicos pode aumentar o risco de recidiva tumoral.
  • C (Hidratantes): É a primeira linha para casos leves. Porém, neste caso específico com atrofia física confirmada e dor intensa, costuma ser insuficiente para resolver o problema estrutural.
  • D (Orientação apenas): Não resolve o sofrimento físico e psicológico da paciente.
  • E (Testosterona): Não trata a atrofia vaginal diretamente e seu uso em sobreviventes de câncer de mama é controverso e menos estabelecido que o estriol local para este sintoma.

Conclusão

A Alternativa B é a escolha mais adequada para tratar a causa raiz (atrofia) dos sintomas apresentados, respeitando o perfil de segurança do fármaco (baixa absorção sistêmica), embora deva sempre ser prescrita com aval do oncologista responsável.

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