Filosofia Múltipla Escolha

Se os filósofos não forem reis nas cidades ou se os que hoje são chamados reis e soberanos não forem filósofos genuínos e capazes e se, numa mesma pessoa, não coincidirem poder político e filosofia e não for barrada agora, sob coerção, a caminhada das diversas naturezas que, em separado buscam uma dessas duas metas, não é possível, caro Glaucon, que haja para as cidades uma trégua de males e, penso, nem para o gênero humano. PLATÃO. A República. São Paulo: Martins Fontes, 2014. A tese apresentada pressupõe a necessidade do conhecimento verdadeiro para a

Se os filósofos não forem reis nas cidades ou se os que hoje são chamados reis e soberanos não forem filósofos genuínos e capazes e se, numa mesma pessoa, não coincidirem poder político e filosofia e não for barrada agora, sob coerção, a caminhada das diversas naturezas que, em separado buscam uma dessas duas metas, não é possível, caro Glaucon, que haja para as cidades uma trégua de males e, penso, nem para o gênero humano.
PLATÃO. A República. São Paulo: Martins Fontes, 2014.
A tese apresentada pressupõe a necessidade do conhecimento verdadeiro para a

  1. organização de uma sociedade justa.
  2. formação de um saber enciclopédico.
  3. promoção da igualdade dos cidadãos.
  4. consolidação de uma democracia direta.
  5. superação de entraves dialógicos.

Resolução completa

Explicação passo a passo

A
Alternativa A

Alternativa A - organização de uma sociedade justa

A questão aborda um dos trechos mais célebres de Platão em sua obra A República, onde ele estabelece a relação fundamental entre filosofia e política.

Análise Detalhada

O texto propõe que só haverá paz e fim dos males nas cidades quando houver coincidência entre poder político (reinar) e filosofia (pensar/saber).

Para Platão, a política baseada apenas na opinião popular ou no interesse privado leva à injustiça. Portanto, é necessário o conhecimento verdadeiro (a ideia do Bem) para guiar o Estado.

Pontos-chave da argumentação:

  • O Rei-Filósofo: Só quem conhece a essência das coisas (o Mundo das Ideias) pode governar com sabedoria.
  • Justiça Política: Uma sociedade justa exige que aqueles que têm conhecimento governem sobre aqueles que não têm.
  • Crítica à Democracia: Platão critica a democracia ateniense porque ela permite que pessoas sem conhecimento filosófico decidam sobre o destino da cidade.

Tabela Comparativa: Visão Platônica vs. Democracia Moderna

ConceitoVisão de Platão (A República)Democracia Moderna
Quem deve governar?Filósofos (aqueles que sabem a verdade)Cidadãos (voto universal)
Fonte do PoderConhecimento / SaberVoto Popular / Opinião
ObjetivoJustiça e VirtudeLiberdade e Igualdade
Perigo PrincipalTirania dos ignorantesDespotismo da maioria

Por que as outras alternativas estão incorretas?

  • (B) Formação de um saber enciclopédico: O foco não é a quantidade de informações, mas a qualidade do conhecimento sobre o Bem e a Justiça.
  • (C) Promoção da igualdade dos cidadãos: Platão defende uma sociedade hierárquica e naturalista, onde cada classe cumpre sua função específica, não uma igualdade absoluta.
  • (D) Consolidação de uma democracia direta: Platão foi crítico ferrenho da democracia ateniense, vendo-a como o regime da opinião (doxa) contra o conhecimento (episteme).
  • (E) Superação de entraves dialógicos: Embora o diálogo seja o método socrático-platônico, a frase trata de consequências políticas práticas, não metodológicas.

Em suma, a tese pressupõe que o conhecimento verdadeiro é condição sine qua non para organizar uma sociedade justa.

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