Geral Múltipla Escolha

Adolescente de 15 anos é levado ao pronto-socorro pela mãe devido a dor progressiva na coxa direita, próxima ao joelho, há cerca de 3 meses, que piorou nas últimas semanas e não melhora com repouso, chegando a despertá-lo durante a noite. Refere aumento de volume local percebido há cerca de 20 dias e perda de 4 kg no período. Nega trauma significativo. Ao exame físico, observa-se tumoração endurecida e dolorosa na região distal do fêmur direito, com leve calor local, hiperemia, sem instabilidade articular e sem comprometimento neurovascular distal. O paciente encontra-se afebril, com sinais vitais estáveis. Considerando a principal hipótese diagnóstica para o caso, qual é a conduta mais adequada nesse atendimento?

Adolescente de 15 anos é levado ao pronto-socorro pela mãe devido a dor progressiva na coxa direita, próxima ao joelho, há cerca de 3 meses, que piorou nas últimas semanas e não melhora com repouso, chegando a despertá-lo durante a noite. Refere aumento de volume local percebido há cerca de 20 dias e perda de 4 kg no período. Nega trauma significativo. Ao exame físico, observa-se tumoração endurecida e dolorosa na região distal do fêmur direito, com leve calor local, hiperemia, sem instabilidade articular e sem comprometimento neurovascular distal. O paciente encontra-se afebril, com sinais vitais estáveis. Considerando a principal hipótese diagnóstica para o caso, qual é a conduta mais adequada nesse atendimento?

  1. Imobilizar o membro com tala e prescrever analgesia, com retorno ambulatorial, para tratar de provável lesão óssea por estresse relacionada à atividade física.
  2. Solicitar radiografia simples do membro e, mantida a suspeita de neoplasia óssea maligna, encaminhar a serviço de referência em oncologia ortopédica para ressonância magnética, biópsia e estadiamento.
  3. Iniciar antibioticoterapia endovenosa empírica para osteomielite aguda e colher hemoculturas, mantendo o paciente internado para observação clínica.
  4. Realizar biópsia incisional da lesão no pronto-socorro para definição histológica e então liberar o paciente para acompanhamento ambulatorial.

Resolução completa

Explicação passo a passo

B
Alternativa B

Alternativa B - Solicitar radiografia simples do membro e, mantida a suspeita de neoplasia óssea maligna, encaminhar a serviço de referência em oncologia ortopédica para ressonância magnética, biópsia e estadiamento.

Análise do Caso Clínico

Este é um caso clássico de alerta para neoplasia óssea primária, muito provavelmente um Osteossarcoma. Abaixo estão os pontos cruciais que definem o diagnóstico e a conduta correta:

  • Quadro Clínico ("Red Flags"):
  • Idade: Adolescente (15 anos) é a faixa etária típica para tumores ósseos primários.
  • Dor: Progressiva, noturna (acorda à noite) e refratária ao repouso. A dor óssea noturna é altamente sugestiva de malignidade.
  • Massa: Tumorização endurecida e aumento de volume local.
  • Sintomas Constitucionais: Perda de peso significativa (4 kg em 20 dias) indica processo sistêmico/catabólico.
  • Localização: Terço distal do fêmur é uma das regiões mais comuns para osteossarcoma (região metafisária).

Por que a Alternativa B é a correta?

A conduta padrão-ouro para suspeita de tumor ósseo segue uma lógica específica para evitar complicações futuras:

  1. Radiografia Simples (Raio-X): É o exame inicial obrigatório para caracterizar a lesão (presença de reação perióstica, destruição óssea, etc.).
  2. Encaminhamento Especializado: O manejo deve ser feito por equipe de oncologia ortopédica.
  3. Biópsia Correta: A biópsia não deve ser feita aleatoriamente no pronto-socorro. Ela deve ser planejada pelo cirurgião que fará a cirurgia definitiva, pois a via da biópsia precisa ser removida junto com o tumor para evitar disseminação de células cancerígenas.
  4. Ressonância Magnética e Estadiamento: Necessários para definir a extensão local da doença e verificar metástases (geralmente pulmões).

Por que as outras alternativas estão incorretas?

  • Alternativa A (Imobilização/Analgésico): Subestima gravemente o quadro. Tratar como lesão por estresse ou trauma atrasaria o diagnóstico de câncer, podendo tornar o tratamento paliativo ou inviável a preservação do membro.
  • Alternativa C (Antibióticos para Osteomielite): Embora a infecção seja uma diferencial, a duração crônica (3 meses), a perda de peso e a massa sólida favorecem a hipótese oncológica. Iniciar antibióticos sem confirmação pode mascarar sintomas e atrasar a investigação definitiva.
  • Alternativa D (Biópsia no Pronto-Socorro): É uma conduta proibida na oncologia ortopédica moderna. Realizar a biópsia fora do centro de referência aumenta o risco de contaminação dos planos anatômicos, tornando difícil ou impossível realizar uma cirurgia conservadora (salvar o membro) posteriormente.

Em resumo, a suspeita clínica é forte para malignidade óssea, exigindo imagem inicial e encaminhamento imediato para especialidade adequada.

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