Geral Múltipla Escolha

Um homem de 67 anos é levado ao pronto-socorro com distensão abdominal progressiva, cólicas difusas, parada de eliminação de gases e fezes há 3 dias e dois episódios de vômito fecoalóide. Relata constipação que vinha piorando nos últimos 4 meses, com fezes afiladas e perda de cerca de 8 kg no período. Ao exame, encontra-se em regular estado geral, hidratado, com pressão arterial de 124 x 78 mmHg, frequência cardíaca de 92 bpm e afebril. O abdome está distendido, timpânico, doloroso difusamente à palpação, porém sem sinais de irritação peritoneal. O toque retal evidencia ânipola retal vazia, sem lesões palpáveis nem sangue. A radiografia simples de abdome mostra alças colônicas acentuadamente dilatadas. Considerando a principal hipótese diagnóstica, qual é a conduta inicial mais adequada nesse momento?

Um homem de 67 anos é levado ao pronto-socorro com distensão abdominal progressiva, cólicas difusas, parada de eliminação de gases e fezes há 3 dias e dois episódios de vômito fecoalóide. Relata constipação que vinha piorando nos últimos 4 meses, com fezes afiladas e perda de cerca de 8 kg no período. Ao exame, encontra-se em regular estado geral, hidratado, com pressão arterial de 124 x 78 mmHg, frequência cardíaca de 92 bpm e afebril. O abdome está distendido, timpânico, doloroso difusamente à palpação, porém sem sinais de irritação peritoneal. O toque retal evidencia ânipola retal vazia, sem lesões palpáveis nem sangue. A radiografia simples de abdome mostra alças colônicas acentuadamente dilatadas. Considerando a principal hipótese diagnóstica, qual é a conduta inicial mais adequada nesse momento?

  1. Encaminhar imediatamente para colonoscopia com passagem de stent metálico autoexpansível, dispensando a tomografia de estadiamento.
  2. Iniciar jejum, sondagem nasogástrica e reposição volêmica, solicitando tomografia de abdome e pelve com contraste.
  3. Indicar laparotomia de urgência com ressecção do segmento acometido e anastomose primária em um único tempo.
  4. Solicitar enema com contraste hidrossolúvel e manter observação clínica, reservando outras medidas para eventual piora do quadro.

Resolução completa

Explicação passo a passo

B
Alternativa B

Alternativa B - Iniciar jejum, sondagem nasogástrica e reposição volêmica, solicitando tomografia de abdome e pelve com contraste.

Introdução ao Caso Clínico

O paciente apresenta um quadro clássico de Obstrução Intestinal Baixa (OIB) com fortes indícios de etiologia neoplásica. Os sinais de alerta incluem idade avançada (67 anos), perda de peso significativa (8 kg em 4 meses), alteração do hábito intestinal ("fezes afiladas") e história de constipação progressiva.

A radiografia simples confirma o diagnóstico de obstrução (alças dilatadas), mas não define a causa exata ou o estadiamento da doença.

Justificativa Didática

O manejo inicial de uma obstrução intestinal deve seguir princípios fundamentais de estabilização e investigação precisa antes da intervenção definitiva.

  1. Estabilização Hemodinâmica:
  • O paciente está em jejum para evitar aspiração e reduzir o risco de perfuração durante procedimentos.
  • A sondagem nasogástrica alivia os vômitos e a distensão abdominal.
  • A reposição volêmica corrige desidratação e desequilíbrios eletrolíticos decorrentes dos vômitos e do terceiro espaço.
  1. Investigação Diagnóstica Precisa:
  • A Tomografia Computadorizada (TC) de abdome e pelve com contraste é o exame de escolha. Ela permite identificar o ponto de transição, diferenciar entre causas benignas e malignas, avaliar metástases e planejar a cirurgia se necessária.
  • Sem a TC, qualquer procedimento invasivo seria cego e arriscado.

Análise das Alternativas Incorretas

AlternativaPor que está incorreta?
AA colonoscopia com stent é uma opção terapêutica válida em alguns casos de câncer colorretal esquerdo, mas não é o passo inicial. Realizar sem tomografia prévia pode levar a complicações (perfuração) e não avalia o estadiamento da doença.
CA cirurgia imediata sem planejamento por TC é agressiva. Em obstruções agudas não preparadas, a anastomose primária tem alto risco de vazamento. Frequentemente opta-se por ressecção com ostomia (procedimento de Hartmann) dependendo da avaliação intraoperatória.
DEnema com contraste pode ser útil para diagnóstico diferencial (ex: torção sigmoide), mas neste caso, dada a suspeita de câncer, apenas observar não resolve o problema mecânico. É necessário tratamento definitivo (cirúrgico ou oncológico).

Conclusão

A conduta padrão-ouro para obstrução intestinal instável ou suspeita de malignidade envolve primeiro a estabilização do paciente e depois a caracterização detalhada da lesão por imagem. Portanto, a alternativa B é a única que prioriza a segurança do paciente e o planejamento adequado do tratamento.

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