Geral Múltipla Escolha

Adolescente de 17 anos comparece à Unidade Básica de Saúde acompanhada pela mãe, que está preocupada com o comportamento alimentar da filha. A jovem relata que, há cerca de 8 meses, apresenta episódios recorrentes nos quais ingere grande quantidade de alimentos em curto período, com sensação de não conseguir parar de comer, seguidos de indução de vômitos por sentir culpada e com medo intenso de engordar. Nega uso de laxantes ou diuréticos. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, hidratada, com IMC de 21,5 kg/m², pressão arterial de 110 x 70 mmHg e frequência cardíaca de 72 bpm; observam-se calosidades no dorso da mão direita e erosões no esmalte dentário. Exames laboratoriais, incluindo eletrólitos, sem alterações. Qual é a conduta terapêutica inicial mais adequada?

Adolescente de 17 anos comparece à Unidade Básica de Saúde acompanhada pela mãe, que está preocupada com o comportamento alimentar da filha. A jovem relata que, há cerca de 8 meses, apresenta episódios recorrentes nos quais ingere grande quantidade de alimentos em curto período, com sensação de não conseguir parar de comer, seguidos de indução de vômitos por sentir culpada e com medo intenso de engordar. Nega uso de laxantes ou diuréticos. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, hidratada, com IMC de 21,5 kg/m², pressão arterial de 110 x 70 mmHg e frequência cardíaca de 72 bpm; observam-se calosidades no dorso da mão direita e erosões no esmalte dentário. Exames laboratoriais, incluindo eletrólitos, sem alterações. Qual é a conduta terapêutica inicial mais adequada?

  1. Encaminhar para internação hospitalar para estabilização clínica e realimentação monitorada.
  2. Iniciar psicoterapia cognitivo-comportamental associada à fluoxetina.
  3. Iniciar lisdexanfetamina associada à psicoterapia cognitivo-comportamental.
  4. Iniciar bupropiona para reduzir a frequência dos episódios de compulsão.

Resolução completa

Explicação passo a passo

B
Alternativa B

Alternativa B - Iniciar psicoterapia cognitivo-comportamental associada à fluoxetina.

Diagnóstico Clínico

A paciente apresenta quadro clássico de Bulimia Nervosa. Os principais critérios clínicos observados são:

  • Episódios de compulsão alimentar: Ingerir grande quantidade de comida em curto período com sensação de perda de controle.
  • Compensações inadequadas: Indução de vômitos para evitar ganho de peso.
  • Peso normal: O IMC de 21,5 kg/m² situa-se na faixa de peso normal, diferenciando-se da Anorexia Nervosa.
  • Sinais físicos: Calosidades nas mãos (sinal de Russell) e erosões dentárias devido à exposição aos ácidos gástricos.

Justificativa Terapêutica

O tratamento de primeira linha para Bulimia Nervosa envolve uma abordagem combinada:

  1. Psicoterapia: A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é o método psicológico mais eficaz para modificar comportamentos alimentares disfuncionais.
  2. Farmacoterapia: A Fluoxetina (um antidepressivo do grupo dos inibidores seletivos de recaptação de serotonina - ISRS) é o único medicamento aprovado pelas diretrizes internacionais (como o FDA) especificamente para o tratamento da bulimia nervosa.

A conduta correta visa estabilizar o comportamento alimentar sem necessidade imediata de internação, dado que os exames laboratoriais e sinais vitais estão estáveis.

Análise das Alternativas

  • Encaminhamento para internação hospitalar: Incorreto. A internação é reservada para casos com risco de vida iminente, como desequilíbrio eletrolítico grave, instabilidade hemodinâmica ou risco suicida. A paciente está hidratada, com eletrólitos normais e pressão arterial estável.
  • Iniciar psicoterapia cognitivo-comportamental associada à fluoxetina: Correto. Esta é a recomendação padrão-ouro baseada em evidências para redução dos episódios de compulsão e purgação.
  • Iniciar lisdexanfetamina: Incorreto. Embora a lisdexanfetamina seja indicada para Transtorno de Comer Compulsivo (BEC) em adultos, não é a droga de escolha inicial para Bulimia Nervosa, especialmente em adolescentes.
  • Iniciar bupropiona: Incorreto e perigoso. A bupropiona reduz o limiar convulsivo e pode aumentar o risco de crises epilépticas em pacientes com distúrbios alimentares, mesmo que os eletrólitos estejam normais no momento.

Conclusão

A melhor conduta inicial é iniciar o tratamento ambulatorial focado na reeducação alimentar e controle emocional, utilizando a combinação de psicoterapia e medicação específica para o transtorno. Portanto, a alternativa B é a resposta correta.

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