Medicina Múltipla Escolha

Homem de 46 anos, sem comorbidades conhecidas, chega à unidade emergência com sudorese, palpitações e confusão mental. Relata episódios semelhantes ao longo do último ano, principalmente pela manhã. Nega uso de medicamentos e refere alimentação irregular. Durante o episódio atual, os exames mostraram: glicemia (38mg/dL); insulina 153U/mL; peptídeo C < 0,2ng/mL; proinsulina < 5pmol/L (VR: até 10pmol/L) e pesquisa sérica de sulfonilureia negativa. Após infusão intravenosa de glicose, houve melhora imediata dos sintomas. Qual é o diagnóstico mais provável para a causa da hipoglicemia neste momento?

Homem de 46 anos, sem comorbidades conhecidas, chega à unidade emergência com sudorese, palpitações e confusão mental. Relata episódios semelhantes ao longo do último ano, principalmente pela manhã. Nega uso de medicamentos e refere alimentação irregular. Durante o episódio atual, os exames mostraram: glicemia (38mg/dL); insulina 153U/mL; peptídeo C < 0,2ng/mL; proinsulina < 5pmol/L (VR: até 10pmol/L) e pesquisa sérica de sulfonilureia negativa. Após infusão intravenosa de glicose, houve melhora imediata dos sintomas. Qual é o diagnóstico mais provável para a causa da hipoglicemia neste momento?

  1. Tumor produtor de insulina endógena.
  2. Uso de insulina exógena.
  3. Jejum prolongado.
  4. Insuficiência adrenal primária.

Resolução completa

Explicação passo a passo

B
Alternativa B

Alternativa B - Uso de insulina exógena.

Análise Detalhada

O caso clínico apresenta um homem com sinais clássicos de hipoglicemia (sudorese, palpitações, confusão mental) e confirmação laboratorial com glicemia de 38 mg/dL. O segredo para o diagnóstico reside na análise combinada dos níveis de insulina e peptídeo C.

1. Interpretação dos Exames

Para diferenciar se a insulina vem do próprio organismo ou foi injetada, precisamos entender a fisiologia:

  • Insulina Endógena: Quando o pâncreas produz insulina, ele também libera o peptídeo C como subproduto da clivagem da pró-insulina. Portanto, altos níveis de insulina devem vir acompanhados de altos níveis de peptídeo C.
  • Insulina Exógena: Quando a pessoa usa insulina injetada, apenas a molécula de insulina entra na corrente sanguínea. O pâncreas continua funcionando, mas a insulina injetada não carrega o peptídeo C consigo.

Dados do paciente:

  • Insulina: $153 \mu U/mL$ (Altíssima - Hiperinsulinemia)
  • Peptídeo C: < 0,2 ng/mL (Indetectável/Baixo)

Essa dissociação (Insulina Alta + Peptídeo C Baixo) é o marcador padrão ouro para administração de insulina exógena.

2. Descartando as demais opções

OpçãoPor que está incorreta?
A (Insulinoma)Um tumor produtor de insulina liberaria insulina e peptídeo C simultaneamente. O peptídeo C estaria elevado, não baixo.
C (Jejum)No jejum fisiológico, o pâncreas suprime a produção de insulina. Esperaríamos insulina baixa, não 153 \mu U/mL.
D (Insuficiência Adrenal)Pode causar hipoglicemia, mas não explica a elevação massiva de insulina. Além disso, a falta de cortisol geralmente leva a outros sinais clínicos distintos.

3. Conclusão

Apesar do paciente negar uso de medicamentos, os dados laboratoriais são objetivos. A combinação de hiperglicemia severa, hiperinsulinemia e peptídeo C suprimido aponta exclusivamente para o uso externo de insulina (frequentemente relacionado a diabetes factício ou erro terapêutico não relatado).

Portanto, o diagnóstico mais provável é o Uso de insulina exógena.

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