Medicina Múltipla Escolha

Mulher, 72 anos, tabagista (80 anos-maço), refere dispneia progressiva e tosse com expectoração amarelada pela manhã há 10 anos. Há 4 dias com aumento do volume de expectoração (que se tornou mais escura) e piora da dispneia. Exame físico: REG, consciente, Glasgow 15. Ausculta respiratória: murmúrio vesicular reduzido bilateralmente, com sibilos difusos. FR: 30 ipm. FC: 110 bpm; PA: 72 mmHg. Gasometria arterial em ar ambiente pH: 7,28; pO₂: 50 mmHg; pCO₂: 54 mmHg; HCO₃: 28 mEq/L; saturação O₂: 84%. Qual intervenção mais adequada neste momento?

Mulher, 72 anos, tabagista (80 anos-maço), refere dispneia progressiva e tosse com expectoração amarelada pela manhã há 10 anos. Há 4 dias com aumento do volume de expectoração (que se tornou mais escura) e piora da dispneia. Exame físico: REG, consciente, Glasgow 15. Ausculta respiratória: murmúrio vesicular reduzido bilateralmente, com sibilos difusos. FR: 30 ipm. FC: 110 bpm; PA: 72 mmHg. Gasometria arterial em ar ambiente pH: 7,28; pO₂: 50 mmHg; pCO₂: 54 mmHg; HCO₃: 28 mEq/L; saturação O₂: 84%. Qual intervenção mais adequada neste momento?

  1. Intubação e ventilação mecânica.
  2. Ventilação não-invasiva.
  3. Cateter nasal de alto fluxo.
  4. Máscara de Venturi.

Resolução completa

Explicação passo a passo

B
Alternativa B

Alternativa B - Ventilação não-invasiva

Diagnóstico Clínico

A paciente apresenta quadro clássico de Exacerbação Aguda da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (AECOPD). Os critérios para esse diagnóstico incluem piora dos sintomas respiratórios em um paciente com DPOC pré-existente (histórico de tabagismo e dispneia progressiva).

Os dados laboratoriais confirmam uma Insuficiência Respiratória Hipercápnica Tipo II, caracterizada por:

  • Hipoxemia: pO_2 = 50 mmHg e saturação de 84%.
  • Hipercapnia: pCO_2 = 54 mmHg.
  • Acidose Respiratória: pH de 7,28 (abaixo do limite inferior de 7,35).

Por que a Ventilação Não-Invasiva (VNI)?

A VNI é o tratamento padrão-ouro para pacientes com AECOPD e acidose respiratória moderada a grave, conforme diretrizes internacionais (GOLD) e nacionais.

Indicações principais para uso imediato:

  • Dispnéia moderada a severa.
  • Uso de músculos acessórios da respiração.
  • Frequência respiratória \geq 25 ipm (paciente tem 30 ipm).
  • Acidose arterial (pH \leq 7,35) e hipercapnia (pCO_2 \geq 45 mmHg).

Benefícios comprovados:

  • Reduz o trabalho respiratório.
  • Melhora a troca gasosa (remove mais CO_2).
  • Diminui a necessidade de intubação traqueal.
  • Reduz mortalidade e tempo de internação hospitalar.

Análise das Alternativas Incorretas

AlternativaMotivo da Incorreção
A (Intubação)Reservada para casos graves como parada respiratória, coma ou falha da VNI. Paciente está consciente (Glasgow 15) e hemodinamicamente estável.
C (Cateter nasal)Útil para hipóxia, mas insuficiente para corrigir a retenção de CO_2 na acidose respiratória aguda.
D (Máscara Venturi)Fornece oxigênio controlado, mas sem pressão positiva para auxiliar na ventilação alveolar necessária neste caso.

Conclusão

A intervenção mais adequada e segura neste momento é iniciar a Ventilação Não-Invasiva. Ela atua diretamente na correção da acidose e hipercapnia, sendo a primeira linha de tratamento antes de considerar a intubação invasiva.

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