Medicina Múltipla Escolha

Mulher de 41 anos comparece ao ambulatório de cirurgia do aparelho digestivo solicitando avaliação para cirurgia bariátrica. Tem 1,60 m e pesa 95 kg, é portadora de diabetes mellitus tipo 2 há 7 anos, em uso de metformina e dapagliflozina, com hemoglobina glicada de 8,9%, e de hipertensão arterial controlada com losartana. Relata diversas tentativas de emagrecimento com dieta e medicação nos últimos anos, sem sucesso sustentado. Está em acompanhamento psiquiátrico por transtorno depressivo maior e refere que, há duas semanas, voltou a apresentar ideação suicida, tendo havido ajuste medicamentoso recente, ainda sem estabilização do quadro. Diante dessa demanda, a conduta médica adequada é

Mulher de 41 anos comparece ao ambulatório de cirurgia do aparelho digestivo solicitando avaliação para cirurgia bariátrica. Tem 1,60 m e pesa 95 kg, é portadora de diabetes mellitus tipo 2 há 7 anos, em uso de metformina e dapagliflozina, com hemoglobina glicada de 8,9%, e de hipertensão arterial controlada com losartana. Relata diversas tentativas de emagrecimento com dieta e medicação nos últimos anos, sem sucesso sustentado. Está em acompanhamento psiquiátrico por transtorno depressivo maior e refere que, há duas semanas, voltou a apresentar ideação suicida, tendo havido ajuste medicamentoso recente, ainda sem estabilização do quadro. Diante dessa demanda, a conduta médica adequada é

  1. agendar a cirurgia, pois a paciente preenche o critério de índice de massa corporal igual ou superior a 35 kg/m² associado a comorbidades, não havendo razão para postergar o procedimento.
  2. encaminhar à equipe multidisciplinar para tratamento e estabilização do transtorno psiquiátrico, reconsiderando a cirurgia após compensação, pois a ideação suicida ativa constitui contraindicação.
  3. orientar que ela não possui indicação cirúrgica por apresentar índice de massa corporal inferior a 40 kg/m² e orientar a manutenção exclusiva do tratamento clínico medicamentoso.
  4. esclarecer que ela só poderá ser encaminhada após documentar falha do tratamento clínico por, no mínimo, dois anos consecutivos, conforme exigência atualmente vigente.

Resolução completa

Explicação passo a passo

B
Alternativa B

Alternativa B - Encaminhar à equipe multidisciplinar para tratamento e estabilização do transtorno psiquiátrico, reconsiderando a cirurgia após compensação, pois a ideação suicida ativa constitui contraindicação.

Análise da Situação Clínica

Para responder corretamente, é necessário analisar três pilares fundamentais deste caso: o cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC), os critérios de indicação cirúrgica vigentes e a estabilidade psiquiátrica do paciente.

1. Avaliação do IMC e Indicação Cirúrgica

Primeiro, calculamos o IMC da paciente para verificar se ela atende aos critérios físicos para cirurgia bariátrica:

IMC = \frac{\text{Peso (kg)}}{\text{Altura (m)}^2} = \frac{95}{1,60^2} = \frac{95}{2,56} \approx 37,1 \text{ kg/m}^2

De acordo com as diretrizes da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), a indicação cirúrgica ocorre em pacientes com:

  • IMC \geq 40 kg/m²;
  • OU IMC \geq 35 kg/m² associados a doenças relacionadas à obesidade (comorbidades), como Diabetes Mellitus Tipo 2 e Hipertensão Arterial Sistêmica.

Neste caso, a paciente possui IMC de 37,1 kg/m² e apresenta Diabetes e Hipertensão. Portanto, ela preenche os critérios para indicação cirúrgica, o que torna a alternativa C incorreta.

2. Estabilidade Psiquiátrica (Ponto Crítico)

Embora a paciente tenha indicação física, a cirurgia bariátrica é um procedimento eletivo (agendado, não emergencial). A segurança do paciente depende de sua capacidade de aderir às mudanças drásticas de estilo de vida pós-operatórias.

  • Ideação Suicida Ativa: A presença de ideação suicida recente e ativa, mesmo com ajuste medicamentoso, indica instabilidade emocional.
  • Risco Cirúrgico: Submeter um paciente com transtorno psiquiátrico não estabilizado a uma cirurgia eletiva aumenta o risco de complicações, má adesão ao tratamento e agravamento do quadro mental.
  • Contraindicação: A instabilidade psiquiátrica grave é considerada uma contraindicação relativa ou absoluta temporária. O ideal é aguardar a estabilização do quadro sob acompanhamento especializado.

Isso invalida a alternativa A, que sugere agendar a cirurgia ignorando o risco suicida.

3. Tempo de Tratamento Clínico

Antigamente, exigia-se a comprovação de insucesso do tratamento clínico conservador por dois anos consecutivos (alternativa D). No entanto, as diretrizes atuais (incluindo a RDC nº 46/2013 e atualizações da ANVISA) flexibilizaram esse requisito para evitar danos metabólicos prolongados em pacientes com comorbidades graves (como Diabetes descompensado).

Portanto, exigir dois anos de tratamento é uma informação desatualizada e não é o fator decisivo neste caso específico, onde o risco imediato é psiquiátrico.

Conclusão

A conduta médica adequada prioriza a segurança do paciente. Embora a paciente seja candidata à cirurgia pelo critério de IMC e comorbidades, a instabilidade psiquiátrica impõe a necessidade de estabilização prévia.

A alternativa B é a correta porque identifica a necessidade de reavaliação psiquiátrica e postergação do ato cirúrgico até que o risco de suicídio seja controlado.

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