Medicina Múltipla Escolha

Paciente 28 anos chega ao consultório queixando-se de dor em região anterior do pescoço iniciada há cerca de 15 dias após episódio gripal. No exame físico você observa aumento da tireoide de forma assimétrica e bastante dolorida à palpação. Seus exames laboratoriais evidenciaram hormônios tireoidianos elevados e TSH baixo. A qual o diagnóstico mais provável para este paciente?

Paciente 28 anos chega ao consultório queixando-se de dor em região anterior do pescoço iniciada há cerca de 15 dias após episódio gripal. No exame físico você observa aumento da tireoide de forma assimétrica e bastante dolorida à palpação. Seus exames laboratoriais evidenciaram hormônios tireoidianos elevados e TSH baixo. A qual o diagnóstico mais provável para este paciente?

  1. Tireoidite de Riedel.
  2. Bócio multinodular atóxico.
  3. Tireoidite de De Quervain.
  4. Tireoidite de Hashimoto.
  5. Adenoma hipofisário.

Resolução completa

Explicação passo a passo

C
Alternativa C

Alternativa C - Tireoidite de De Quervain.

Este caso clínico apresenta os sinais clássicos da Tireoidite Subaguda, também conhecida como Tireoidite de De Quervain. O diagnóstico baseia-se na tríade fundamental observada no paciente: história recente de infecção viral, dor tireoidiana intensa e quadro de tireotoxicose com baixa captação de iodo.

Análise do Caso Clínico

Para identificar o diagnóstico correto, devemos dissecar os principais elementos apresentados no enunciado:

  • Sintomatologia: O paciente relata dor na região anterior do pescoço (tireoide) iniciada após um episódio gripal. A associação com infecções virais é um fator etiológico clássico para essa condição.
  • Exame Físico: A presença de aumento assimétrico da tireoide e, crucialmente, a dor à palpação, diferencia este caso de outras patologias tireoidianas geralmente indolores, como o Bócio Multinodular Atóxico ou a própria Tireoidite de Hashimoto em sua fase crônica.
  • Laboratório: Os níveis elevados de hormônios tireoidianos associados ao TSH baixo indicam tireotoxicose. No entanto, o ponto chave é a captação de iodo radioativo baixa. Isso ocorre porque a glândula não está hiperproduzindo hormônio (como na Doença de Graves), mas sim liberando o estoque prévio devido à destruição inflamatória dos folículos tireoidianos.

Análise das Alternativas

  • (A) Tireoidite de Riedel: É uma doença rara caracterizada por fibrose extensa que torna a tireoide dura ("madeira") e indolor. Não causa tireotoxicose aguda.
  • (B) Bócio multinodular atóxico: Geralmente evolui sem sintomas sistêmicos ou dor. O termo "atóxico" indica que a função hormonal é normal ou inativa, não havendo elevação aguda de hormônios.
  • (C) Tireoidite de De Quervain: Corresponde perfeitamente ao quadro descrito. É uma inflamação subaguda, frequentemente pós-viral, causada por reação imune aos antígenos virais retidos na tireoide. Apresenta dor, febre (comum, embora não citada) e fase tireotóxica transitória.
  • (D) Tireoidite de Hashimoto: É a causa mais comum de hipotireoidismo. Embora possa apresentar uma fase inicial de "hashitoxicose", a glândula raramente é dolorosa à palpação e a evolução é predominantemente para deficiência hormonal.
  • (E) Adenoma hipofisário: Um adenoma produtor de TSH causaria tireotoxicose, mas o TSH estaria elevado ou inadequadamente normal, nunca suprimido (baixo). Além disso, não causaria dor local na tireoide.

Portanto, a combinação de dor tireoidiana, antecedente infeccioso e baixa captação de iodo confirma o diagnóstico de Tireoidite de De Quervain.

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