Medicina Múltipla Escolha

Paciente de 21 anos foi submetido a protocolo de transfusão massiva devido a ferimento penetrante abdominal que demandou tamponamento hepático e peritoniotomia. A meta da hemotransfusão em relação à hemoglobina, INR (international normalized ratio) e plaquetas é:

Paciente de 21 anos foi submetido a protocolo de transfusão massiva devido a ferimento penetrante abdominal que demandou tamponamento hepático e peritoniotomia. A meta da hemotransfusão em relação à hemoglobina, INR (international normalized ratio) e plaquetas é:

  1. Hemoglobina > 7g/dL, INR < 3,0 e plaquetas > 120.000/mm².
  2. Hemoglobina > 8 g/dL, INR < 0,9 e plaquetas > 100.000/mm².
  3. Hemoglobina entre 8-12g/dL, INR < 1,8 e plaquetas > 50.000/mm².
  4. Hemoglobina > 12g/dL, INR < 1,5 e plaquetas > 80.000/mm².
  5. Hemoglobina > 6 g/dL, INR < 2,5 e plaquetas > 20.000/mm².

Resolução completa

Explicação passo a passo

C
Alternativa C

Resposta

Alternativa C

A questão aborda os parâmetros de reposição sanguínea durante um protocolo de transfusão massiva, cenário comum em traumas graves com hemorragia ativa. O objetivo é equilibrar a oxigenação tecidual com a prevenção da coagulopatia induzida pela diluição, sem causar sobrecarga volêmica.

Análise Detalhada

Para pacientes em sangramento ativo e instáveis, as diretrizes atuais de trauma (como ATLS e consensos de transfusão massiva) preconizam metas específicas para manter a homeostase:

  • Hemoglobina (Hb):
  • A estratégia moderna é restritiva. Manter níveis elevados (> 12 g/dL) aumenta o risco de sobrecarga cardíaca, hipertensão intracraniana e aumento da viscosidade sanguínea.
  • O alvo ideal geralmente é manter a Hb entre 7 a 9 g/dL (ou > 8 g/dL em casos de lesão cerebral).
  • A opção C propõe "entre 8-12 g/dL", evitando os extremos perigosos de 6 g/dL (hipóxia) e > 12 g/dL (sobrecarga).
  • Plaquetas:
  • A trombocitopenia é uma causa comum de sangramento na transfusão massiva.
  • O limite mínimo funcional para hemostasia cirúrgica é > 50.000/mm³. Níveis abaixo disso (como 20.000/mm³ na opção E) aumentam drasticamente o risco de hemorragia incontrolável.
  • A opção C atende a esse critério fundamental (> 50.000/mm³).
  • INR (International Normalized Ratio):
  • Reflete a função dos fatores de coagulação. Na transfusão massiva, ocorre diluição de fatores.
  • O alvo ideal é manter o INR < 1,5. Valores acima de 1,5 indicam coagulopatia significativa.
  • A opção A (INR < 3,0) e E (INR < 2,5) apresentam valores incompatíveis com hemostasia.
  • A opção C (INR < 1,8) é a que mais se aproxima da realidade clínica de manutenção, permitindo uma margem segura antes de exigir reposição massiva de plasma fresco congelado, diferentemente da opção B (INR < 0,9), que é extremamente rigorosa e difícil de manter sem excesso de volume.

Conclusão

A Alternativa C é a resposta correta pois estabelece metas realistas e seguras:

  1. Hemoglobina controlada (evita anoxia e sobrecarga).
  2. Plaquetas funcionais (> 50.000/mm³).
  3. Coagulação mantida (INR próximo do normal, evitando sangramento).

As demais alternativas apresentam erros críticos:

  • A: INR < 3,0 é letal.
  • B: INR < 0,9 é impraticável; Plaquetas > 100.000 exigem esforço excessivo.
  • D: Hb > 12 g/dL é contraproducente.
  • E: Plaquetas < 20.000 e INR alto garantem sangramento incontrolável.

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