Medicina Múltipla Escolha

Um paciente de 7 anos apresenta quadro de febre há 2 dias, mal-estar geral, anorexia, odinofagia, evoluindo com exantema papular no peito, que se expandiu para tronco, pescoço e membros, poupando a palma da mão. Ao exame, o paciente apresentou exsudato purulento em tonsilas amigdalianas, bochechas hiperemiadas com palidez perioral, pele do tronco áspera e linhas transversais nas dobras de flexão. Nesse contexto, assinale a alternativa correta.

Um paciente de 7 anos apresenta quadro de febre há 2 dias, mal-estar geral, anorexia, odinofagia, evoluindo com exantema papular no peito, que se expandiu para tronco, pescoço e membros, poupando a palma da mão. Ao exame, o paciente apresentou exsudato purulento em tonsilas amigdalianas, bochechas hiperemiadas com palidez perioral, pele do tronco áspera e linhas transversais nas dobras de flexão. Nesse contexto, assinale a alternativa correta.

  1. A transmissão do quadro não ocorre nos primeiros dias de sintomas.
  2. Trata-se de uma doença de notificação compulsória.
  3. Algumas das complicações não-supurativas são glomerulonefrite difusa aguda e poliarterite nodosa.
  4. O uso de antibiótico associado a um inibidor da beta-lactamase é necessário, já que o agente etiológico da doença produz beta-lactamase.
  5. O teste para antiestreptolisina (ASLO) é necessário para o diagnóstico dessa condição.

Resolução completa

Explicação passo a passo

B
Alternativa B

Alternativa B - Trata-se de uma doença de notificação compulsória.

Identificação do Quadro Clínico

O caso apresentado descreve classicamente a Febre Escarlatina, uma infecção bacteriana causada pelo Streptococcus pyogenes (Grupo A Beta-hemolítico). Os principais sinais que confirmam o diagnóstico clínico incluem:

  • Exantema escarlatiniforme: Pele áspera ("lixa"), que começa no peito e se espalha, poupando as palmas.
  • Sinal de Faget: Bochechas avermelhadas com palidez ao redor da boca.
  • Linhas de Pastia: Linhas vermelhas nas dobras de flexão (cotovelos, axilas).
  • Faringoamigdalite: Dor de garganta com exsudato purulento nas amígdalas.
  • Febre alta e mal-estar: Sintomas sistêmicos típicos.

Análise das Alternativas

Por que a Alternativa B está correta?

No Brasil, a Febre Escarlatina é classificada como uma Doença de Notificação Compulsória (DNC). Isso significa que os casos devem ser comunicados obrigatoriamente aos serviços de vigilância epidemiológica através do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN).

  • Objetivo: Permitir o monitoramento de surtos e a implementação rápida de medidas de controle sanitário.

Por que as outras alternativas estão incorretas?

  • A - Transmissão nos primeiros dias: É falsa. A doença é altamente contagiosa desde o início dos sintomas, transmitida por gotículas respiratórias ou contato direto. A transmissão cessa geralmente após 24 horas de início do tratamento antibiótico adequado.
  • C - Complicações não-supurativas: É falsa quanto à "poliarterite nodosa". As duas principais complicações imunológicas (não-supurativas) da infecção estreptocócica são:
  • Febre Reumática: Afeta coração, articulações e sistema nervoso.
  • Glomerulonefrite Aguda Pós-Estreptocócica: Afeta os rins.
    A poliarterite nodosa é uma vasculite associada principalmente ao vírus da Hepatite B, não sendo uma complicação clássica da febre escarlatina.
  • D - Antibiótico com inibidor de beta-lactamase: É falsa. O agente etiológico (Streptococcus pyogenes) produz sensibilidade universal à penicilina e não possui capacidade de produzir a enzima beta-lactamase. O tratamento de escolha é Penicilina ou Amoxicilina simples. O uso de inibidores (como ácido clavulânico) é desnecessário e incorreto aqui.
  • E - Teste ASLO para diagnóstico: É falsa. O diagnóstico da febre escarlatina na fase aguda é essencialmente clínico e microbiológico (cultura de swab faringeu). O título de antiestreptolisina O (ASLO) só aumenta algumas semanas após a infecção inicial, sendo útil apenas para confirmar infecções passadas (ex: investigar causa de febre reumática meses depois), mas não para o diagnóstico imediato do quadro agudo.

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