Medicina Múltipla Escolha

Um paciente idoso com histórico de doença cardiovascular recebe prescrição de um AINE para dor crônica no joelho. Argumenta-se que nem todos os AINEs possuem o mesmo perfil de segurança para o coração. Considera-se que, para pacientes com risco cardiovascular elevado:

Um paciente idoso com histórico de doença cardiovascular recebe prescrição de um AINE para dor crônica no joelho. Argumenta-se que nem todos os AINEs possuem o mesmo perfil de segurança para o coração. Considera-se que, para pacientes com risco cardiovascular elevado:

  1. Não existem diferenças de segurança entre AINEs em relação ao coração.
  2. Alguns AINEs seletivos para COX-2 podem aumentar o risco de eventos trombóticos.
  3. Os AINEs comuns são totalmente isentos de riscos cardiovasculares.
  4. O uso de qualquer AINE reduz a chance de trombose em pacientes idosos.
  5. O histórico cardiovascular não interfere na prescrição de AINE.

Resolução completa

Explicação passo a passo

B
Alternativa B

Alternativa B - Alguns AINEs seletivos para COX-2 podem aumentar o risco de eventos trombóticos.

Introdução à Farmacologia dos AINEs

A questão aborda a farmacoterapia de Anti-inflamatórios Não Esteroides (AINEs) em pacientes com alto risco cardiovascular. É fundamental compreender como esses medicamentos interagem com as enzimas ciclo-oxigenases (COX) no organismo.

Os AINEs atuam inibindo as enzimas COX, responsáveis pela síntese de prostaglandinas. Existem dois tipos principais de COX relevantes aqui:

  • COX-1: Enzima constitutiva, presente fisiologicamente. Protege a mucosa gástrica e produz Tromboxano A2 (TXA2), que promove agregação plaquetária e vasoconstrição.
  • COX-2: Enzima induzida durante processos inflamatórios. Produz Prostaglandinas inflamatórias, mas também produz Prostaciclina (PGI2) nas células endoteliais vasculares, que tem efeito antiplaquetário e vasodilatador.

Mecanismo de Risco Cardiovascular

O risco cardiovascular surge do desequilíbrio entre Tromboxano A2 (que forma coágulos) e Prostaciclina (que evita coágulos).

Quando utilizamos AINEs seletivos para COX-2:

  1. Eles bloqueiam a produção de prostaglandinas inflamatórias (aliviando a dor).
  2. Eles inibem a produção de Prostaciclina (PGI2) pelo endotélio vascular (via COX-2).
  3. Mantêm a atividade da COX-1, continuando a produzir Tromboxano A2 (TXA2).

Isso cria um estado de hipercoagulabilidade, onde há tendência aumentada à formação de trombos, aumentando o risco de infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC). Por essa razão, alguns medicamentos dessa classe (como a rofecoxibe/Vioxx) foram retirados do mercado ou possuem advertências severas.

Análise das Alternativas

AlternativaAvaliaçãoJustificativa
aIncorretaExistem diferenças significativas. Exemplo: Naproxeno tem menor risco que Diclofenaco ou COX-2 seletivos.
bCorretaA inibição seletiva de COX-2 sem bloquear COX-1 gera desequilíbrio pró-trombótico.
cIncorretaAINEs comuns (ex: Ibuprofeno, Diclofenaco) têm risco cardiovascular moderado a alto.
dIncorretaA maioria aumenta o risco ou mantém neutro, não reduz (exceto a baixa dose de ácido acetilsalicílico/aspirina).
eIncorretaO histórico é determinante; muitos casos exigem substituição por paracetamol ou opioides.

Conclusão

Para pacientes com risco cardiovascular elevado, a escolha do AINE deve ser cautelosa. A alternativa B está correta porque reflete o conhecimento estabelecido de que a inibição seletiva da via COX-2 pode favorecer eventos trombóticos devido ao desbalanço entre agentes vasoconstritores/agregantes e vasodilatadores/inibidores de agregação.

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