Medicina Múltipla Escolha

Uma jovem de 24 anos é admitida na sala de trauma após queda de motocicleta em alta velocidade. Está sonolenta, desorientada em tempo e espaço e apresenta hálito etílico. Responde aos questionamentos de forma lenta e com dificuldade para falar. A equipe pré-hospitalar aplicou o colar cervical rígido ainda na cena do trauma. A saturação é de 87%. Considerando os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support) sobre os dispositivos e manobras básicas de vias aéreas, assinale a alternativa que apresenta corretamente uma contraindicação ou limitação técnica aplicável a este contexto.

Uma jovem de 24 anos é admitida na sala de trauma após queda de motocicleta em alta velocidade. Está sonolenta, desorientada em tempo e espaço e apresenta hálito etílico. Responde aos questionamentos de forma lenta e com dificuldade para falar. A equipe pré-hospitalar aplicou o colar cervical rígido ainda na cena do trauma. A saturação é de 87%.

Considerando os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support) sobre os dispositivos e manobras básicas de vias aéreas, assinale a alternativa que apresenta corretamente uma contraindicação ou limitação técnica aplicável a este contexto.

  1. A cânula nasofaríngea deve ser evitada em pacientes com sinais de fratura de base de crânio ou trauma complexo de face, devido ao risco de inserção intracraniana.
  2. A cânula orofaríngea (Guedel) é o dispositivo de primeira escolha para pacientes conscientes e que respondem verbalmente, pois facilita a aspiração de secreções.
  3. A manobra de inclinação da cabeça e elevação do queixo (chin-lift) é a técnica padrão-ouro recomendada para abertura de vias aéreas em vítimas de trauma com suspeita de lesão cervical.
  4. A máscara laríngea é considerada um dispositivo de via aérea definitiva, pois isola completamente a traqueia e permite a broncoaspiração em pacientes traumatizados.
  5. A intubação nasotraqueal às cegas é a técnica preferencial em pacientes com apneia traumática e suspeita de fratura da coluna cervical, por evitar a hiperextensão do pescoço.

Resolução completa

Explicação passo a passo

A
Alternativa A

Alternativa A

A questão aborda os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support) focados no manejo das vias aéreas em pacientes politraumatizados. O caso clínico apresenta uma vítima de acidente com sinais sugestivos de trauma craniofacial (escoriações, epistaxe bilateral ativa) e alteração do nível de consciência.

Análise Detalhada

Vamos examinar cada alternativa à luz dos protocolos de emergência:

  • Alternativa A (Correta): A cânula nasofaríngea (CNP) tem como principal contraindicação a suspeita de fratura de base de crânio ou trauma facial grave.
  • Risco: Existe o perigo real de introduzir o tubo através da lâmina crivosa do etmoide, causando perfuração intracraniana.
  • Contexto: A paciente apresenta epistaxe bilateral ativa e escoriações faciais, o que exige cautela extrema antes de qualquer procedimento nasal.
  • Alternativa B (Incorreta): A cânula orofaríngea (Guedel) é contraindicada em pacientes conscientes.
  • Motivo: Em pacientes que respondem verbalmente, o estímulo da cânula provoca o reflexo de vômito (gag reflex), podendo levar à aspiração de conteúdo gástrico e piora do quadro. Ela é indicada apenas para pacientes inconscientes sem reflexo de deglutição.
  • Alternativa C (Incorreta): A manobra de inclinação da cabeça e elevação do queixo (chin-lift) não é indicada em trauma com suspeita de lesão cervical.
  • Técnica Correta: Para vítimas de trauma com suspeita de fratura de coluna cervical, utiliza-se a manobra de elevação do mandíbula (jaw-thrust). Esta abre as vias aéreas mantendo a coluna cervical estabilizada, evitando a extensão do pescoço que poderia agravar uma lesão medular.
  • Alternativa D (Incorreta): A máscara laríngea (MLA/LMA) é classificada como dispositivo de via aérea temporária ou intermediária, não definitiva.
  • Limitação: Ela não protege adequadamente contra a broncoaspiração porque não cria um selamento hermético na traqueia como faz o tubo endotraqueal. O tubo endotraqueal é considerado a via aérea definitiva.
  • Alternativa E (Incorreta): A intubação nasotraqueal às cegas é uma técnica obsoleta e arriscada neste cenário.
  • Contraindicação: Além do risco de fratura de base de crânio (citado na opção A), a intubação cega tem alta taxa de falha e não garante proteção adequada da via aérea em um paciente instável. O padrão atual prioriza a laringoscopia direta ou indireta com estabilização cervical manual (EIM).

Conclusão

A alternativa A é a correta pois identifica uma contraindicação técnica vital baseada na fisiopatologia do trauma craniano. Em pacientes com sinais de fratura de base de crânio ou trauma facial severo, a via nasal é proibida para dispositivos invasivos devido ao risco de complicações neurológicas graves.

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