Português — Interpretação Múltipla Escolha

O inspetor Welber viu o delegado se aproximando e foi ao seu encontro. — Conseguimos saber alguma coisa? — perguntou Espinosa. — Muito pouco. O crime deve ter acontecido de madrugada. [...] É provável que os autores do saque tenham sido os sem-teto. Não há nenhuma testemunha [...]. — Nenhuma testemunha? — Parece que não. [...] GARCIA-ROZA, Luiz Alfredo. Fantasma. São Paulo: Companhia das Letras, 2012. Ao empregar as expressões destacadas, a narrativa explora a ideia de:

O inspetor Welber viu o delegado se aproximando e foi ao seu encontro.

— Conseguimos saber alguma coisa? — perguntou Espinosa.

— Muito pouco. O crime deve ter acontecido de madrugada. [...] É provável que os autores do saque tenham sido os sem-teto. Não há nenhuma testemunha [...].

— Nenhuma testemunha?

— Parece que não. [...]

GARCIA-ROZA, Luiz Alfredo. Fantasma. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

Ao empregar as expressões destacadas, a narrativa explora a ideia de:

  1. imprecisão, para acentuar o ar de mistério.
  2. hipótese, para garantir a precisão das informações.
  3. desejo, para incentivar o engajamento do leitor.
  4. certeza, para quebrar o clima de suspense.

Resolução completa

Explicação passo a passo

A
Alternativa A

Alternativa A - Imprecisão, para acentuar o ar de mistério.

Introdução à Análise

A questão apresenta um trecho de um romance policial (Fantasma, de Lutz Alfredo Garcia-Roza) e pergunta sobre a função estilística de certas expressões utilizadas pelo personagem. Para responder, precisamos analisar o tom da fala do inspetor Welber e como ela se relaciona com o gênero literário.

Desenvolvimento da Justificativa

As expressões presentes no diálogo são:

  • "O crime deve ter acontecido de madrugada"
  • "É provável que os autores... tenham sido os sem-teto"
  • "Parece que não" (sobre testemunhas)

Todas essas frases utilizam verbos e locuções que indicam incerteza, probabilidade ou suposição, e não fatos concretos confirmados.

Na literatura, especialmente em gêneros como o policial ou de mistério, a informação precisa demais pode acabar com o suspense. Ao usar termos que sugerem dúvida, o autor mantém o leitor na expectativa, explorando a atmosfera de investigação onde nem tudo está claro imediatamente.

Análise Detalhada

  • Modalidade de Incerteza: O uso de "deve", "provável" e "parece" cria uma modalidade verbal opinativa. Isso gera imprecisão factual no momento da fala.
  • Função Narrativa: Essa imprecisão não é um erro do narrador, mas uma estratégia. Ela serve para construir o clima de mistério, essencial para prender a atenção do leitor até que todas as peças do enigma sejam montadas.
  • Contradição na Alternativa Errada: A alternativa marcada com risco vermelho na imagem ("hipótese, para garantir a precisão") contém uma contradição lógica. Uma hipótese é, por definição, uma explicação provisória e não exata. Portanto, ela não pode ser usada para "garantir a precisão" das informações.
CaracterísticaOpção Correta (A)Opção Incorreta (B)
FocoAtmosfera / GêneroLógica Factual
ConceitoImprecisão / MistérioHipótese / Precisão
ValidadeCoerente com o textoContraditório internamente

Conclusão

A narrativa utiliza a linguagem da dúvida propositalmente para envolver o leitor na investigação. Portanto, a ideia explorada pela imprecisão linguística é a de criar e manter o ar de mistério.

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