Alternativa D
A questão aborda a Linguística Funcional, uma corrente teórica que entende a linguagem não apenas como um conjunto de regras estruturais, mas principalmente como um instrumento de interação social. O texto base menciona Halliday, que defende que a capacidade linguística se desenvolve através das relações sociais em que o indivíduo participa.
Portanto, a aplicação desse conceito no ensino de Língua Portuguesa deve focar na adequação do uso da língua aos diferentes contextos, valorizando a realidade do aluno sem abrir mão da norma culta quando necessária.
Análise Detalhada
Para compreender por que a alternativa D é a correta, precisamos entender os princípios fundamentais da perspectiva funcional citada no enunciado:
- Linguagem como Ação: Para Halliday, a linguagem serve para fazer coisas (funcionar) dentro de uma sociedade. Não basta saber as regras gramaticais; é preciso saber usá-las adequadamente dependendo da situação.
- Variação Linguística: A língua varia conforme o grupo social, o contexto e a finalidade. Ignorar a variedade falada pelo aluno (como sugerido na alternativa A) vai contra a visão sociolinguística moderna.
- Ensino Escolar: O objetivo escolar não é eliminar as variedades populares, mas ampliar o repertório do aluno. Isso significa ensinar que existem diferentes modos de usar a língua, sendo a variedade padrão essencial para certos espaços formais.
Por que as outras alternativas estão incorretas?
- Alternativa A: Propõe excluir a realidade social do aluno e focar apenas no padrão. Isso é prescritivismo, o oposto da visão funcional e inclusiva defendida pelos autores citados.
- Alternativa B: Foca na perspectiva lógico-gramatical (fonológico, morfológico, sintático). Embora esses níveis existam, a questão pede especificamente a utilidade da abordagem funcional, que prioriza o sentido e o uso prático sobre a análise estrutural isolada.
- Alternativa C: Defende um ensino prescritivo desconectado das situações comunicativas. A função da linguagem é justamente conectar pessoas através da comunicação, então essa opção contradiz a premissa da pergunta.
- Alternativa E: Sugere desconsiderar a natureza funcional e interativa. Se ignorarmos a função social, perdemos o principal argumento da teoria de Halliday apresentada no texto.
Conclusão
A alternativa D é a única que reflete o equilíbrio necessário no ensino contemporâneo: respeitar as diferentes possibilidades de uso da língua (variação) enquanto ensina o uso adequado da variedade padrão para garantir a cidadania e a participação social plena do aluno.