Português — Interpretação Múltipla Escolha

Quem disse que a democracia era eterna? Ninguém. Mas palpita ainda no coração do homem civilizado a crença de que essa forma de governo não terá fim nos atos do tempo. Ninguém sabe como será o futuro dessa experiência – para Runciman, a democracia vive a crise da meia-idade. Resta saber se essa crise destrói o casamento ou o torna mais forte. É uma boa metáfora. Que convida a outra: o casamento só irá sobreviver se a maioria conseguir redescobrir, com novos olhos, as virtudes que permanecem no lar. No texto, para convencer o leitor a respeito do momento de instabilidade pelo qual passa o atual modelo de governo, o autor utiliza como processo persuasivo a

Quem disse que a democracia era eterna? Ninguém. Mas palpita ainda no coração do homem civilizado a crença de que essa forma de governo não terá fim nos atos do tempo. Ninguém sabe como será o futuro dessa experiência – para Runciman, a democracia vive a crise da meia-idade. Resta saber se essa crise destrói o casamento ou o torna mais forte. É uma boa metáfora. Que convida a outra: o casamento só irá sobreviver se a maioria conseguir redescobrir, com novos olhos, as virtudes que permanecem no lar.

No texto, para convencer o leitor a respeito do momento de instabilidade pelo qual passa o atual modelo de governo, o autor utiliza como processo persuasivo a

  1. citação de dados estatísticos para comprovar a iminente falência do sistema político.
  2. construção de analogias com as dinâmicas e os conflitos de um relacionamento conjugal.
  3. oposição entre o comportamento do homem civilizado e a irracionalidade da população.
  4. enumeração de fatos históricos que atestam a estabilidade longevidade dessa forma de governo.
  5. intimidação por meio de previsões catastróficas sobre o futuro da sociedade de viés democrático.

Resolução completa

Explicação passo a passo

B
Alternativa B

Alternativa B - Construção de analogias com as dinâmicas e os conflitos de um relacionamento conjugal.

Introdução à Interpretação

Para responder a questões de interpretação de texto, é fundamental identificar o gênero textual, o tema central e, principalmente, os recursos linguísticos utilizados pelo autor para construir seu argumento. Neste caso, o texto trata da crise da democracia, utilizando uma figura de linguagem específica para ilustrar essa situação complexa.

Desenvolvimento da Solução

O trecho apresenta uma reflexão sobre o futuro da democracia. Para explicar essa ideia abstrata, o autor recorre a comparações concretas. Observe os trechos chave do texto:

  • "...a democracia vive a crise da meia-idade."
  • "Resta saber se essa crise destrói o casamento ou o torna mais forte."
  • "É uma boa metáfora."
  • "Convida a outra: o casamento só irá sobreviver..."

A palavra "metáfora" aparece explicitamente no texto, indicando que o autor está fazendo uma comparação direta entre dois domínios distintos:

  1. O sistema político (Democracia)
  2. Uma relação familiar/conjugal (Casamento)

Essa técnica persuasiva busca tornar o tema mais compreensível e emocionalmente ressonante ao comparar a instituição política com uma instituição social conhecida (o casamento).

Análise das Alternativas

Abaixo, detalhamos por que a alternativa B é a correta e por que as demais não se sustentam:

  • (A) Citação de dados estatísticos: Incorreta. O texto é opinativo e reflexivo. Não existem números, porcentagens ou pesquisas citadas para provar a falência do sistema.
  • (B) Construção de analogias com as dinâmicas e os conflitos de um relacionamento conjugal: Correta. Como analisado acima, o uso de termos como "casamento", "metáfora", "lar" e a comparação da democracia a uma entidade que pode ser "destruída" ou "fortalecida" caracterizam claramente uma analogia conjugal.
  • (C) Oposição entre o comportamento do homem civilizado e a irracionalidade da população: Incorreta. Embora o texto mencione o "homem civilizado", ele não estabelece uma oposição contra a "irracionalidade da população". O foco está na crise institucional, não num conflito de classes ou comportamental.
  • (D) Enumeração de fatos históricos: Incorreta. O texto não lista eventos passados específicos para atestar estabilidade. Pelo contrário, afirma que "Ninguém sabe como será o futuro".
  • (E) Intimidação por meio de previsões catastróficas: Incorreta. Embora fale em "crise", o tom não é de ameaça imediata ou terrorismo, mas de desafio e possibilidade de renovação ("torna mais forte", "redescobrir... virtudes").

Conclusão

O autor utiliza a metáfora do casamento para descrever a fase de "meia-idade" da democracia. Essa estratégia retórica visa engajar o leitor conectando a política a experiências humanas universais, sugerindo que a sobrevivência do regime depende da capacidade de revitalização, assim como em um casamento que supera crises.

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